Chagas abertas de um país que não avança 

Edição 75
  • Políticas públicas e decisões econômicas equivocadas costumam produzir estragos de longo prazo na vida de países. É o que ainda se observa em vários indicadores sociais brasileiros em decorrência da “década perdida” gerada pela recessão provocada pelo PT em 2015-2016.
  • Dez anos depois, o país tem problemas fiscais gravíssimos, crescimento econômico medíocre e uma irritante incapacidade de sustentar o seu desenvolvimento. Mas o pior é a persistência de más condições de vida de milhões de brasileiros.
  • Indicadores divulgados pelo IBGE nos últimos dias comprovam uma chaga social ainda exposta. Fome, trabalho análogo à escravidão e crianças que, ao invés de estar na escola, estão trabalhando são retratos de um país que não progride.
  • Um de cada quatro domicílios brasileiros apresenta insegurança alimentar – no Norte e no Nordeste, a proporção ultrapassa 1/3, de acordo com o módulo Segurança Alimentar da Pnad Contínua publicado na sexta-feira (10).
  • Significa que existem cerca de 62 milhões de pessoas com graus leve a grave de falta de qualidade e/ou redução na quantidade de alimentos consumidos. Dentro deste contingente, o Brasil tem cerca de 6,5 milhões de indivíduos que passam fome todos os dias.
  • Proporcionalmente, a insegurança alimentar no país é hoje mais alta do que era em 2013, claro indicador de uma década jogada fora. Uma das razões está na inflação dos alimentos, que encareceram 7,7% em 2024, bem acima do índice geral.
  • Outra vergonha está no trabalho infantil. Em 2024, o país ainda tinha 1,6 milhão de crianças e adolescente de 5 a 17 anos trabalhando, com alta de 40 mil pessoas nesta situação em um ano. A falta de fiscalização está entre as razões.
  • Já as denúncias de trabalho escravo explodiram na gestão Lula. Passaram de 2,1 mil em 2022 para 4 mil no ano passado. Foi o maior número em 14 anos, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. São tristes retrocessos.
  • As políticas de proteção social ganharam força no Brasil a partir do governo do PSDB (1995-2002). Na gestão Fernando Henrique, as ações voltadas aos mais pobres deixaram de ser assistencialistas para se tornarem emancipatórias.
  • Ao longo do tempo, muitas destas iniciativas foram sendo enfraquecidas por governos petistas – por exemplo, ao deixarem de observar contrapartidas na forma de frequência escolar e vacinação a alguns benefícios sociais concedidos.
  • O Brasil tem condições de erradicar muitas das mazelas sociais que nos perseguem há séculos. O primeiro passo é deixar de tratar os mais pobres apenas como massa de manobra eleitoral, como o PT sempre fez.

“Sempre trabalhamos para que as pessoas não dependessem do Estado, mas sim conquistassem a prosperidade com que sonham e merecem.”

Aécio Neves – Deputado federal e presidente do Instituto Teotônio Vilela

Domicílios em situação de insegurança alimentar (em %)


VENEZUELA

Um Nobel da Paz para democratas do mundo todo

  • O Prêmio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado coroa a defesa da democracia e dos direitos humanos que une democratas de todo o mundo contra o regime ditatorial de esquerda que subjuga o povo da Venezuela há 26 anos.
  • Em meio às comemorações globais pelo prêmio, Lula e sua chancelaria foram dos poucos em todo o mundo a se calar, deixando claro, de uma vez por todos, de que lado o PT está quando se trata de defesa da democracia e dos direitos humanos.
  • Vivendo escondida desde a fraude chavista das eleições presidenciais de 2024, Corina é símbolo dos que combatem a ditadura que, desde 1999, destruiu a Venezuela com sua agenda baseada no “socialismo do século 21” e sua reiterada violação de direitos e liberdades.
  • As estatísticas oficiais são inconfiáveis, mas desde 2013 a economia venezuelana derreteu mais de 62%. A inflação do país é a maior do mundo: nos últimos cinco anos, a média anual foi de 905%.
  • Numa crise humanitária de largas proporções, mais de 8 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela, hoje um centro de “redes de crime organizado, da desestabilização, do tráfico de drogas”, como narrou Corina a O Globo.
  • Em 2014, num dos períodos mais sangrentos da ditadura chavista, a convite do PSDB Corina foi recebida no Congresso Nacional em Brasília. A bancado do PT recebeu a hoje Nobel da Paz com gritos de “golpista” e “fascista”.
  • Em junho de 2015, uma comitiva de senadores liderada por Aécio Neves foi a Caracas encontrar-se com Corina, mas foi impedida por chavistas de deixar o aeroporto da capital. A líder feminina agradeceu a solidariedade dos brasileiros.
  • Os democratas nunca tiveram dúvidas a respeito de que lado estar no caso da Venezuela: contra o regime autoritário e aliados à resistência personificada por pessoas como María Corina Machado. A organização do Nobel da Paz também não.
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