- Em seus números gerais, o resultado do PIB brasileiro no primeiro trimestre do ano foi positivo. Nos detalhes, contudo, são pouco alentadoras as perspectivas para a economia do país no resto do ano.
- Depois de três trimestres praticamente estagnado, o PIB cresceu 1,1% entre janeiro e março em relação aos três meses imediatamente anteriores, conforme divulgou o IBGE na última sexta-feira (29).
- Os dois principais fatores para a alta foram o desempenho da agropecuária e o consumo – das famílias e do governo. Ambos, contudo, desvelam realidades bem mais preocupantes quando vistas mais de perto.
- O consumo cresce na esteira da desmedida política de incentivo ao crédito posta em marcha pelo governo do PT com vistas a azeitar o caminho para a tentativa de reeleger Lula em outubro.
- O pacote do desespero eleitoral inclui mudanças na tributação, renegociação camarada de dívidas e mais dinheiro à disposição para a população poder gastar. O outro lado da moeda é conhecido: inflação combatida a juros nas alturas.
- Na taxa acumulada em quatro trimestres, o consumo das famílias cresceu 1,2% e o do governo, alimentado pela gastança petista, disparou 2,3%. Não por acaso, o endividamento do país encontra-se em seu mais alto patamar desde a pandemia, segundo divulgou o Banco Central também na sexta-feira.
- O outro esteio do PIB foi, mais uma vez, a agropecuária: a alta no trimestre foi de 2%. Fica claro, porém, que, golpeado por uma sequência de crises, o fôlego do campo vem caindo. Nos primeiros trimestres de 2023, 2024 e 2025, os avanços haviam sido de 14,9%, 3,4% e 15,8%, respectivamente.
- O componente do PIB que poderia sinalizar perspectivas futuras positivas foi só decepção. A taxa de investimento do país caiu a 16,5% do PIB, pior resultado em seis anos, ou seja, desde o primeiro trimestre de 2020.
- Outra evidência da má qualidade do crescimento atual é o que acontece com a indústria da transformação. É, por natureza, o setor que emprega mais inovação, paga melhores salários e impulsiona a atividade na economia de forma mais generalizada.
- No trimestre, a indústria da transformação avançou mero 0,1%, o que, na prática, significa apenas a manutenção do padrão de estagnação em que o segmento está mergulhado há dois anos.
- Dadas as condições atuais, o país caminha para registrar crescimento medíocre neste ano, estimado em 1,9% na mais recente edição do Boletim Focus. Vivemos uma clara desaceleração em relação aos resultados dos últimos anos.
- O Brasil está preso numa armadilha de baixo crescimento. A economia roda hoje apenas à base de estímulos artificiais de consumo, que redundam, em contrapartida, em juros mais altos que limitam os investimentos. É um beco sem saída.
- O país precisa de um governo comprometido com reformas, que aja com compromisso social e responsabilidade com as contas públicas para que o ambiente para geração de emprego e renda se instale. É tudo o que não temos no Brasil do PT.
Crescimento anual do PIB brasileiro (em %)

Empregos de qualidade vão perdendo fôlego
- As estatísticas de emprego e renda indicam que o desemprego está na sua mínima histórica. Os números refletem, principalmente, a ocupação no mercado informal, em que os vencimentos são mais baixos e os direitos, quase inexistentes.
- O mercado de trabalho de qualidade, porém, começa a sofrer com as condições difíceis da economia. É o que mostram, por exemplo, os resultados medidos pelo Caged, que acompanha o comportamento do emprego formal.
- Em abril, foram abertos no país somente 85.888 postos de trabalho com carteira assinada. O desempenho representa queda de 64% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram criados 238 mil postos.
- Também na comparação com o mês de março último, a situação se deteriorou de maneira acentuada. Nesta comparação, a queda na abertura de vagas formais foi de 62,3%, conforme números oficiais publicados na quinta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
- Empregos com carteira assinada são melhores porque dão mais garantias aos trabalhadores e tendem a ser mais perenes. Na outra ponta, o país segue gerando, predominantemente, vagas sem direitos trabalhistas e com baixíssimos vencimentos.
- Sete em cada dez trabalhadores brasileiros recebem, no máximo, dois salários mínimos, segundo resultados preliminares do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo IBGE no ano passado.
- Os dados publicados agora pelo Ministério do Trabalho comprovam que o emprego formal está em seu pior momento no país desde a pandemia. Não é mera coincidência, já que as empresas que tendem a gerar as melhores oportunidades não investem.
- Constata-se que o mercado de trabalho está aquecido por empregos de menor qualidade, enquanto oportunidades mais dignas vão desaparecendo do horizonte. Aos poucos, vai ficando claro que a economia do PT não funciona para os trabalhadores.