Lá vem a inflação subindo a ladeira

Edição 106
  • Os índices de inflação estão, de novo, assustando os brasileiros. Os preços estão em escalada, com previsões negativas também para o futuro. Para complicar, o que mais tem pesado na conta é a alimentação.
  • Em maio, o IPCA atingiu 0,58%, conforme divulgou o IBGE na sexta-feira (12). É a maior taxa para o mês desde 2021, ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19. Em relação ao registrado um ano atrás, o índice oficial mais que dobrou.
  • Observada para fins do regime de metas, a inflação acumulada em 12 meses já está acima do teto: 4,72%. Isso não ocorria desde outubro. O intervalo da taxa anual a ser perseguida varia de 1,5% a 4,5%.
  • O item com maior alta em maio foi o de alimentação e bebidas: 1,33%. Mais especificamente, alimentação em domicílio subiu 1,65%, na maior elevação para o mês de maio desde 2008 – em apenas três meses, ou seja, desde março, o aumento acumulado alcança 5,3%.
  • Os preços da comida dispararam. Desde janeiro, os maiores aumentos são os de cenoura (95,4%), tomate (86,2%) e batata inglesa (75,8%). Em fevereiro, a expectativa era de que os alimentos subiriam 3,7% neste ano, mas agora a projeção é de que a alta chegue a 7,7%, na maior variação desde 2024.
  • Outro item que está pesando no orçamento é a energia elétrica residencial. Os preços subiram 3,67% em maio e a previsão oficial, feita pela Aneel, é de que os aumentos atinjam 8,6% neste ano, ou seja, perto do dobro da inflação geral.
  • Não é apenas o estrago atual no bolso das famílias e no caixa das empresas que mais atemoriza. Tão grave quanto é olhar adiante e ver que a inflação brasileira não cederá tão cedo, conforme estimativas majoritárias dos agentes econômicos.
  • A previsão é de que a inflação chegue a 5,3% até o fim deste ano, segundo o mais recente Boletim Focus. A curva dos prognósticos começou a embicar para cima há 14 semanas – quando ainda estavam em 3,9% – e não parou mais de subir.
  • É verdade que alguns dos fatores que estão pesando na alta dos preços no país são externos e imponderáveis. É o caso do conflito no Oriente Médio – que pode estar caminhando para o fim – e o “super El Niño” deste ano, cujo início foi cientificamente confirmado na semana passada.
  • Mas a piora das condições externas (ou “exógenas”, no jargão dos economistas) pegou o país no contrapé. O aumento dos gastos públicos dos últimos anos deixou a economia brasileira fragilizada e com muito menos condições de amortecer as mudanças de ares globais. É a imprudência petista cobrando caro.
  • Por décadas, o país viveu o horror da hiperinflação, só finalmente derrotada pelo Plano Real do governo do PSDB. As maiores vítimas dos preços altos são sempre os mais pobres. Por isso, combater a carestia deve ser prioridade número 1 de qualquer governo sério – não é o que acontece na gestão Lula.

Variação mensal da alimentação em domicílio (em %)

Fonte: IBGE/Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.

O remédio amargo dos juros

  • O outro lado da escalada inflacionária são os juros nas alturas praticados no país. A política monetária tem sido o único instrumento para tentar conter aumentos ainda maiores dos preços, alimentados pela gastança do governo Lula.
  • Nesta quarta-feira (17), o Copom define a nova taxa básica de juros. As expectativas mudaram completamente ao longo das últimas semanas, para pior. Antes tidos como favas contadas, cortes mais significativos da Selic passaram a ser miragem distante.
  • A taxa básica está atualmente em 14,5% ao ano. Até fevereiro, estimava-se que o Banco Central a cortaria até chegar a 12% em dezembro. O otimismo, contudo, virou pó e, agora, a previsão é de que a Selic chegue, no máximo, a 13,75%, com chance considerável de que sequer caia.
  • Além de fatores externos que azedaram o humor da economia, a maior razão para taxas tão altas é que o governo do PT abusa de medidas eleitoreiras para jogar mais gasolina na fogueira da demanda e do consumo. Com mais gastos, os preços reagem subindo.
  • A Selic está no patamar mais elevado dos últimos 20 anos, o que torna os juros brasileiros o segundo mais alto do mundo, atrás apenas da Rússia, conforme levantamento da consultoria MoneYou.
  • O país gasta atualmente mais de R$ 1 trilhão por ano apenas com pagamento de juros. Vai piorar. As taxas praticadas no mercado explodiram nas últimas semanas, forçando o Tesouro Nacional a pagar ainda mais caro para rolar a dívida, com remunerações que há anos não eram vistas.
  • Juros altos como os atuais são sintoma de uma economia doente, cuja dívida pública vem numa escalada só vista nos catastróficos anos Dilma. Só com gestão responsável e compromisso verdadeiro com o país é possível reverter a maré e as expectativas negativas. É tudo o que o petismo não é capaz de oferecer.
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