Pedala, Lula: a contabilidade criativa a todo vapor

Edição 108
  • Em época de Copa do Mundo, as pedaladas fiscais estão em alta. O governo Lula tem se notabilizado por medidas que escondem despesas e anabolizam receitas, num artifício daninho para as contas públicas do país.
  • O Brasil já viu este filme de horror antes. Foi na desastrosa gestão de Dilma Rousseff, que, com sua desavergonhada irresponsabilidade fiscal, produziu a maior recessão econômica da história brasileira, cujos efeitos negativos se fazem sentir até hoje.
  • Um dos avisos mais incisivos de que as contas do país estão em completa desordem foi dado no início deste mês pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Ao analisar a execução orçamentária do governo Lula relativa a 2025, a corte fez 12 alertas e ressalvas.
  • Entre os pontos destacado pelo relator, ministro Benjamin Zymler, estão: receitas superestimadas, concessão de benefícios fiscais sem previsão legal, uso de fundos para execução de políticas fiscais fora do Orçamento e metas fiscais insuficientes para estabilizar a dívida pública. A supervisão das estatais é mais uma fragilidade.
  • O descompromisso petista com o dinheiro dos brasileiros é reiterado. As contas de todos os exercícios de todos os mandatos do PT na presidência da República tiveram ressalvas pelo TCU, chegando à reprovação das de 2014 e 2015.
  • A esperteza – que sempre acaba por comer o dono – está em escamotear a gastança usando artimanhas contábeis, as famosas pedaladas. A malandragem tem pernas curtas e sempre termina em descalabro, seja descontrole inflacionário, desemprego ou juros altos.
  • Em maio, o TCU já havia advertido que o governo Lula abusa de “estruturas paralelas” para aumentar gastos ao largo de registros oficiais, de forma a não interferir em resultados fiscais – embora as manobras sempre impliquem em aumento da dívida, que caminha para a estratosfera.
  • Empréstimos concedidos pelo Tesouro a fundos e bancos públicos para financiar políticas governamentais cresceram 34% em 2025 e alcançaram R$ 307 bilhões, segundo dados do Balanço Geral da União publicados pela Folha de S.Paulo.
  • Em consequência, a dívida pública explode: em maio, ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 9 trilhões, conforme divulgou o Tesouro Nacional na sexta-feira (26). É uma bola de neve: em agosto passado, a dívida rompera o limiar dos R$ 8 trilhões e a previsão é ultrapassar R$ 10 trilhões até o fim deste ano.
  • De janeiro a maio, o rombo nas contas federais escalou para R$ 44 bilhões, pior resultado para o período desde 2020, ano da pandemia. As despesas subiram 13% acima da inflação, informou o Tesouro Nacional na segunda-feira (29).
  • Quem é mais prejudicado pela gastança irresponsável são os mais pobres. Mas essa lição básica, o PT é incapaz de aprender. Só se faz justiça social com responsabilidade fiscal. O paísnecessita, com máxima urgência, reencontrar o caminho do respeito ao dinheiro do contribuinte. Antes que não haja mais saída.

Dívida bruta do governo geral (em % do PIB)*

Fontes: Banco Central do Brasil e PLDO 2027. *Valores em dezembro de cada ano. **Projeções PLDO 2027.

Incúria fiscal expõe agro a chuvas e trovoadas

  • É notória a desatenção das gestões do PT em relação ao nosso agronegócio. É como se o partido de Lula tivesse aversão ao Brasil que dá certo e, em boa medida, não precisa de benesses públicas para caminhar bem.
  • No pouco que dependem de instrumentos oficiais de apoio, os produtores agrícolas ficam na mão. É o que está acontecendo agora com o seguro rural. As políticas petistas estão deixando o campo brasileiro – literalmente – exposto a chuvas e trovoadas.
  • Neste ano, o seguro rural – que serve para prevenir sinistros decorrentes de quebra de safra, eventos climáticos severos e alta de preços de insumos – protegerá a menor área plantada em 20 anos, informa O Globo.
  • Apenas 2,8% da extensão cultivada no país estará segurada, o que representa menos de 20% da extensão coberta em 2021, segundo a FenSeg. O Brasil conta com mais de 83 milhões de hectares plantados, mas apenas 2,7 milhões terão seguro.
  • O seguro rural sofre com a incúria fiscal do governo Lula. Para compensar a gastança eleitoreira, algumas áreas da administração estão tendo que apertar o cinto. Nesse balaio, o valor destinado à subvenção dos prêmios do seguro caiu pela metade neste ano.
  • Dos R$ 1 bilhão previstos, R$ 462 milhões foram cortados no início de junho. Nenhuma novidade: em 2025, o seguro rural também teve recursos bloqueados ou contingenciados e a aplicação caiu para R$ 565 milhões, informou o Valor Econômico.
  • O descaso é ainda mais grave em razão do momento. Para este ano, é esperada a ocorrência de um super El Niño, com possíveis efeitos devastadores nas lavouras, em razão do risco de chuvas e secas extremas, a depender da região.
  • As dificuldades não param aí: no Plano Safra anunciado nesta terça-feira (30), as linhas com juros subsidiados diminuíram 14,7%. É o PT, mais uma vez, demonstrando não ter apreço por quem gera prosperidade e produz comida farta para os brasileiros.
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