- Nos últimos anos, o país tem trilhado uma bem-vinda trajetória de redução em alguns indicadores de violência, notadamente o de homicídios. É uma conquista que merece ser comemorada, embora o brasileiro ainda esteja longe de viver em paz.
- Segundo a nova edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada na quinta-feira (23), o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025. O movimento de queda não é recente: começou uma década atrás, no governo Michel Temer.
- Desde 2017, quando foi registrado recorde de 64.076 mortes no país, a redução acumulada é de 36,4%. Em termos proporcionais, a taxa de mortes violentas intencionais caiu 38,8% no período, para os atuais 19,1 por 100 mil habitantes.
- Maior integração entre as polícias e utilização de instrumentos de inteligência no combate à criminalidade ajudam a explicar a melhora dos índices. Bem maior nos anos iniciais, o recuo vem perdendo fôlego desde 2023, sob o governo do PT.
- Nos detalhes, os indicadores também revelam um país vivendo sob o domínio do medo. Não por coincidência, as localidades mais violentas do país estão em dois estados governados há tempos pelo petismo: Bahia e Ceará.
- A violência contra mulheres continua explodindo e crimes contra o patrimônio, sobretudo fraudes digitais, cada vez mais intranquilizam a população – são quase 2,3 milhões de estelionatos e 831 mil aparelhos celulares subtraídos por ano.
- Na contramão do indicador geral, feminicídios subiram 4% em 2025. Foram 1.571 vítimas tipificadas quando o crime é cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Ou seja, são mais de quatro mulheres mortas no país nesta situação todos os dias.
- O anuário também joga luz sobre a participação de União, estados e municípios no esforço para combater o crime. A conclusão é que, enquanto o governo federal cruza os braços, governadores e prefeitos têm buscado ampliar recursos para o enfrentamento da bandidagem.
- No ano passado, de cada R$ 100 investidos em segurança pública no país, apenas R$ 11,10 vieram da União. Na comparação com 2024, o valor federal aplicado contra a violência caiu 17,7% – sozinho, o estado de São Paulo gasta mais que a União.
- Estados ampliaram em 6% suas despesas de segurança pública no ano passado. Num período mais longo, o esforço maior foi dos municípios, com alta acumulada de 72,7% na última década – quase quatro vezes mais que a da União.
- A insegurança pública continua sendo a maior preocupação dos brasileiros. Mas o esforço nacional de combate ao crime não encontra na gestão Lula um aliado à altura. Sem enfrentamento decidido, o país vai continuar refém da bandidagem, sob o jugo de organizações criminosas.
- Apenas uma ação articulada a partir do poder federal será capaz de enfrentar uma criminalidade cada vez mais organizada e com ramificações cada vez mais distribuídas e infiltradas por todos os poros do território nacional. Bandido bom é bandido capturado, julgado e mantido atrás das grades.
Evolução das despesas com a função Segurança Pública (em R$ bilhões)*

Estatais afundam num buraco sem fim
- Não é surpresa, nem coincidência: a cada gestão petista, a destruição das empresas estatais se repete. O patrimônio dos brasileiros é transformado em sorvedouro de dinheiro público e antro de corrupção.
- Está acontecendo agora novamente. Segundo estudo publicado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, na semana passada, a situação vem piorando desde 2018, mas se acentuou nos últimos quatro anos.
- Até 2022, as estatais ainda registravam superávit primário – de 0,06% do PIB – mas desde então mergulharam no vermelho. O rombo nos 12 meses até maio é de 0,07% do PIB. A situação é pior nas 17 estatais dependentes, que necessitam de recursos da União para realizar despesas de pessoal, custeio e capital.
- Em 2025, esse conjunto de empresas consumiu R$ 29 bilhões do Tesouro, que bancou 96% de suas despesas. Do valor, 91% são gastos com pessoal e custeio; quase nada sobra para investimentos.
- Sete estatais – entre elas, Embrapa e CBTU – tinham patrimônio líquido negativo em 2025, ou seja, suas obrigações superavam todos os ativos que possuíam, caracterizando situação de insuficiência patrimonial.
- Desde 2018, as estatais dependentes têm fluxo de caixa operacional fortemente negativo, atingindo R$ 32 bilhões no ano passado. Fossem privadas, estariam em situação de falência; no setor público, estão em “condição de estrangulamento orçamentário-financeiro”, conforme a IFI.
- Mesmo as 12 estatais não dependentes – controladas pelo Estado, mas que não necessitam de recursos do Tesouro, incluindo os Correios – receberam R$ 21 bilhões em aportes da União desde 2018.
- Nas atuais condições, as estatais brasileiras são verdadeiras bombas-relógio fiscais. Num quadro de escassez crescente de recursos públicos, o melhor destino que deveria caber à maioria delas é a privatização.