O empenho de empresas e empresários brasileiros, em parceria com importadores dos EUA, foi decisivo para que o país fosse menos prejudicado pelas sanções impostas por Donald Trump. O Brasil conseguiu atenuar o tarifaço apesar de Lula, e não por méritos do presidente e seu governo.
A partir desta quarta-feira (6), o Brasil torna-se o país em todo o mundo sujeito às maiores tarifas de importação para entrar nos EUA. Nem a China, inimiga explícita do presidente americano, foi condenada a pagar 50% de imposto.
Em valor, conforme diferentes fontes, quase 60% das vendas do Brasil para os EUA serão prejudicadas pelo tarifaço – embora o governo Lula, num cálculo distorcido que não encontra amparo na realidade, sustente que é bem menos. Pequenas e médias empresas são quem mais perde.
A tarifa média dos 69 países afetados pelo tarifaço ficou em 18%; a do Brasil, mesmo com as isenções, ainda será de cerca de 30%. O país também foi uma das 20 nações punidas com tarifas maiores que as anunciadas por Trump em abril – no outro extremo, 26 conseguiram baixar alíquotas.
Numa pauta com mais de 3,8 mil itens exportados, apenas 694 ficarão isentos da sobretaxa – e, destes, 565 são produtos destinados à aviação civil, segundo a CNI, num afago direto à Embraer. É mais uma evidência de que quem equilibrou o jogo foi a atuação das empresas, e não o governo petista.
A gestão Lula continua sem interlocução com o governo dos EUA, país que compra 12% do que o Brasil exporta. “No total, os negociadores brasileiros tiveram seis reuniões virtuais e apenas uma presencial com seus pares americanos”, computou O Globo.
O chanceler brasileiro só foi recebido pelo governo americano momentos antes do anúncio da confirmação do tarifaço, num ato quase protocolar na quarta-feira (30). O ministro da Fazenda continua esperando para falar com o secretário do Tesouro dos EUA e Lula continua sem conversar com Trump.
O governo Lula ajudou pouco – ou mesmo atrapalhou com suas atitudes provocadoras. Como, por exemplo, a persistência na criação de uma moeda alternativa ao dólar, bandeira que não anima sequer seus parceiros nos Brics e na qual apenas o presidente brasileiro insiste.
A agressão impetrada por Trump ao país encontra repúdio maciço dos brasileiros. Segundo o Datafolha, 77% dizem que o tarifaço vai refletir no próprio bolso e 89% o consideram prejudicial ao Brasil.
O governo Lula cogita ajudar empresas afetadas. Mas o risco é o socorro significar uma nova política de “campeões nacionais”, que só serviu para privilegiar amigos do rei, deixando uma conta bilionária para o país.
Ainda muito sujeito a práticas protecionistas, o Brasil deveria aproveitar o momento para abrir-se mais ao mundo – nossa participação no comércio internacional é de apenas 1% e só 13% das nossas exportações ocorrem sob acordos comerciais.
O Brasil ainda tem condições de ampliar a lista de exceções ao tarifaço. Basta que o governo do PT não atrapalhe e não lance retaliações que minem a possibilidade de negociações.
Lula também precisa parar de transformar qualquer oportunidade em palanque eleitoral, como cogita fazer em novo pronunciamento à nação previsto para esta terça-feira (5).
A saída para ainda salvar quem foi sobretaxado é não depender do governo brasileiro. O que é preciso agora é mais negociação, menos politização. Mais conversa, menos gritos. Mais comércio, menos protecionismo. O caminho é mais Brasil, menos Lula.
Tarifas impostas a importações feitas pelos EUA (em %)*

POLARIZAÇÃO
Extremos ocupam ruas para defender o indefensável
O último domingo (3) foi palco de espetáculos deprimentes protagonizados pelas duas forças políticas extremistas brasileiras. Novamente, petismo e bolsonarismo se mostraram cada vez mais parecidos entre si, sobretudo na sabotagem ao país.
O PT usou seu congresso nacional para tentar reabilitar figuras nefastas para a vida pública do Brasil. Protagonistas dos maiores escândalos de corrupção da história receberam tapete vermelho e loas de agradecimento de Lula e dos petistas.
O esforço do petismo visa levar de volta ao Congresso Nacional figuras célebres pelo envolvimento com o mensalão, como José Dirceu, além de tentar limpar a barra de gente como os ex-tesoureiros Delúbio Soares e João Vaccari Neto, também acusados pela roubalheira.
A claque petista os considera “guerreiros do povo brasileiro”, mas para a Justiça brasileira eles formavam uma “organização criminosa”, conforme acusação analisada no âmbito dos julgamentos no STF há dez anos.
Do outro lado do extremo político, manifestações em todo o país promovidas por apoiadores de Jair Bolsonaro celebraram medidas tomadas contra o Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nas últimas semanas.
Tanto o tarifaço, quanto a agressão institucional ao STF promovidos pelo governo americano foram comemorados. É mais um sinal de que, para a extrema direita nacional, é “Jair acima de tudo”.
A população brasileira, contudo, demonstra que cada vez mais rechaça posturas políticas extremistas.
Pesquisa do Datafolha divulgada nos últimos dias informa que apenas 6% da população considera que o Brasil deveria atender as chantagens de Trump e 57% avaliam que o americano está errado em exigir da Justiça brasileira que anule processos contra Bolsonaro.
Quando os extremos políticos, mais uma vez, vão a público defender o indefensável, sempre deixando os interesses do país em enésimo plano, fica ainda mais claro que o que o Brasil precisa é restaurar o equilíbrio e a responsabilidade, comprometidos com quem realmente importa: o povo.