Edição 63

Edição 63

A escalada da insensatez

  • Os brasileiros vêm assistindo a uma escalada de insensatez desde que, no
    último dia 9, o presidente dos EUA, Donaldo Trump, ameaçou punir o país com
    sanções tarifárias. Nunca antes na história, a polarização política foi tão
    danosa ao nosso povo.
  • A hora era de jogar água na fervura de uma crise que pode ter consequências
    econômicas dramáticas para o Brasil. Mas petistas e bolsonaristas estão
    fazendo o oposto e ajudando a colocar mais gasolina na fogueira.
  • O presidente brasileiro continua distante de exercer o papel de chefe da nação
    que dele se espera. Abandonou atitudes mais sóbrias, acertadamente
    adotadas nos dias iniciais da crise, para voltar a seu figurino predileto: o de
    palanqueiro.
  • Em lugar da necessária moderação, Lula tem investido no confronto com o
    governo Trump, pondo em risco mercados que representam milhões de
    empregos e mais de US$ 40 bilhões em vendas externas do Brasil.
  • Foi assim em pronunciamento oficial em formato de propaganda eleitoral
    feito na quinta-feira (17). Tem sido assim dia após dia em eventos políticos
    pelo país afora, em que explora ambientes historicamente favoráveis ao
    radicalismo do PT – como o da UNE – para fazer proselitismo.
  • Foi assim, também, em mais um encontro internacional nesta segunda-feira
    (21), que reuniu no Chile chefes de Estado de orientação política de esquerda.
    Soa como nova provocação, com Lula dando novo pretexto para as
    irracionalidades e agressões de Trump.
  • O convescote desta semana se soma ao encontro dos Brics sediado pelo
    Brasil há 15 dias no qual, com suas provocações, Lula forneceu a desculpa
    que Trump esperava para anunciar a inaceitável sanção contra nosso país,
    conforme creem 55% dos brasileiros, de acordo com a mais recente pesquisa
    da Genial/Quaest.
  • Nesse ambiente, é inconcebível que o único canal de comunicação entre o
    presidente do Brasil e o dos EUA sejam declarações à imprensa e publicações
    em redes sociais. Lula continua vangloriando-se de não procurar diretamente
    Trump, como a gravidade da situação atual exige.
  • Por seu turno, o bolsonarismo tem feito valer a máxima de “Jair Bolsonaro
    acima de tudo e de todos”, insuflando novas investidas contra instituições e
    contra o interesse brasileiro por parte do governo dos EUA.
  • É especialmente grave que o ex-presidente tenha incentivado sanções
    contra o país em troca de sua anistia, conforme divulgou a Polícia Federal
    após o Supremo Tribunal Federal impor medidas restritivas a Bolsonaro na
    sexta-feira (18).
  • Numa clara inversão do que deve orientar as lideranças políticas na defesa
    do interesse nacional, alguns de seus familiares e aliados chegaram ao
    absurdo de comemorar a agressão contra o Brasil, o que 79% da população
    considera que vai prejudicar sua vida, ainda segundo a Genial/Quaest.
  • De todo modo, apenas quem tem o poder de reverter as chances de uma
    punição tarifária danosa a todo o país é o governo brasileiro. Espera-se que os
    encarregados de negociar ajam com sobriedade – a mesma que tem faltado
    a Lula e que também é escassa na extrema direita nacional.
  • O povo brasileiro só tem a perder com uma escalada de agressões que só
    serve para alimentar a animosidade entre os extremos políticos. A
    (necessária) defesa da soberania não pode se converter em mera bandeira
    eleitoral. Mais que nunca, a polarização não é do interesse nacional.

Principais exportações aos EUA (em US$ bilhões, em 2024)

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.


SIGILO SECULAR

Lula torna documentos oficiais ainda mais opacos

  • Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito com a promessa de promover “união
    nacional”, mas continua incitando conflitos. Prometeu comida farta na mesa,
    mas a inflação persiste. Acenou com mais transparência, mas governa com
    base em sigilos de um século.
  • O manto do segredo se estende a várias das medidas adotadas pelo governo
    do PT. Vai das viagens luxuosas (e injustificadas) da primeira-dama
    Rosângela da Silva ao exterior a repasses bilionários de recursos públicos
    para estados, municípios e ONGs.
  • Tudo isso deveria ter caído “no primeiro dia de governo”, conforme Lula
    prometeu em setembro de 2022, às vésperas do primeiro turno da eleição. Os
    muros, contudo, só aumentaram.
  • Janja tem tanto os gastos com o séquito de assessores que lhe servem, quanto
    sua agenda de atividades e suas despesas com seus passeios pelo mundo
    afora bloqueados sob o manto de sigilos de 100 anos determinados pelo
    governo Lula.
  • Os gastos com o cartão corporativo da Presidência da República também
    estão sob proteção. São R$ 55 milhões – ou uma média de R$ 2 milhões por
    mês – que ninguém sabe aonde foram parar.
  • Neste ano, a lista também vinha incluindo os polpudos honorários pagos a
    funcionários da Advocacia-Geral da União. Eram R$ 2,5 bilhões que estavam
    sem poder ser fiscalizados – a medida foi revogada na semana passada após o
    Metrópoles denunciar mais este sigilo.
  • A opacidade também envolve o direito dos cidadãos a conhecer dados
    oficiais que deveriam ser públicos. Apenas no primeiro ano de gestão, o
    governo Lula impôs sigilo a 1.339 pedidos protocolados com base na Lei de
    Acesso à Informação.
  • O desapreço pela transparência é marca registrada de gestões petistas.
    Quase três anos depois de sua promessa eleitoral, Lula continua sem deixar o
    povo brasileiro conhecer o que seu governo faz. Certamente, é porque tem
    muito a esconder.
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