A escalada da insensatez
- Os brasileiros vêm assistindo a uma escalada de insensatez desde que, no
último dia 9, o presidente dos EUA, Donaldo Trump, ameaçou punir o país com
sanções tarifárias. Nunca antes na história, a polarização política foi tão
danosa ao nosso povo. - A hora era de jogar água na fervura de uma crise que pode ter consequências
econômicas dramáticas para o Brasil. Mas petistas e bolsonaristas estão
fazendo o oposto e ajudando a colocar mais gasolina na fogueira. - O presidente brasileiro continua distante de exercer o papel de chefe da nação
que dele se espera. Abandonou atitudes mais sóbrias, acertadamente
adotadas nos dias iniciais da crise, para voltar a seu figurino predileto: o de
palanqueiro. - Em lugar da necessária moderação, Lula tem investido no confronto com o
governo Trump, pondo em risco mercados que representam milhões de
empregos e mais de US$ 40 bilhões em vendas externas do Brasil. - Foi assim em pronunciamento oficial em formato de propaganda eleitoral
feito na quinta-feira (17). Tem sido assim dia após dia em eventos políticos
pelo país afora, em que explora ambientes historicamente favoráveis ao
radicalismo do PT – como o da UNE – para fazer proselitismo. - Foi assim, também, em mais um encontro internacional nesta segunda-feira
(21), que reuniu no Chile chefes de Estado de orientação política de esquerda.
Soa como nova provocação, com Lula dando novo pretexto para as
irracionalidades e agressões de Trump. - O convescote desta semana se soma ao encontro dos Brics sediado pelo
Brasil há 15 dias no qual, com suas provocações, Lula forneceu a desculpa
que Trump esperava para anunciar a inaceitável sanção contra nosso país,
conforme creem 55% dos brasileiros, de acordo com a mais recente pesquisa
da Genial/Quaest. - Nesse ambiente, é inconcebível que o único canal de comunicação entre o
presidente do Brasil e o dos EUA sejam declarações à imprensa e publicações
em redes sociais. Lula continua vangloriando-se de não procurar diretamente
Trump, como a gravidade da situação atual exige.
- Por seu turno, o bolsonarismo tem feito valer a máxima de “Jair Bolsonaro
acima de tudo e de todos”, insuflando novas investidas contra instituições e
contra o interesse brasileiro por parte do governo dos EUA. - É especialmente grave que o ex-presidente tenha incentivado sanções
contra o país em troca de sua anistia, conforme divulgou a Polícia Federal
após o Supremo Tribunal Federal impor medidas restritivas a Bolsonaro na
sexta-feira (18). - Numa clara inversão do que deve orientar as lideranças políticas na defesa
do interesse nacional, alguns de seus familiares e aliados chegaram ao
absurdo de comemorar a agressão contra o Brasil, o que 79% da população
considera que vai prejudicar sua vida, ainda segundo a Genial/Quaest. - De todo modo, apenas quem tem o poder de reverter as chances de uma
punição tarifária danosa a todo o país é o governo brasileiro. Espera-se que os
encarregados de negociar ajam com sobriedade – a mesma que tem faltado
a Lula e que também é escassa na extrema direita nacional. - O povo brasileiro só tem a perder com uma escalada de agressões que só
serve para alimentar a animosidade entre os extremos políticos. A
(necessária) defesa da soberania não pode se converter em mera bandeira
eleitoral. Mais que nunca, a polarização não é do interesse nacional.
Principais exportações aos EUA (em US$ bilhões, em 2024)

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
SIGILO SECULAR
Lula torna documentos oficiais ainda mais opacos
- Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito com a promessa de promover “união
nacional”, mas continua incitando conflitos. Prometeu comida farta na mesa,
mas a inflação persiste. Acenou com mais transparência, mas governa com
base em sigilos de um século. - O manto do segredo se estende a várias das medidas adotadas pelo governo
do PT. Vai das viagens luxuosas (e injustificadas) da primeira-dama
Rosângela da Silva ao exterior a repasses bilionários de recursos públicos
para estados, municípios e ONGs. - Tudo isso deveria ter caído “no primeiro dia de governo”, conforme Lula
prometeu em setembro de 2022, às vésperas do primeiro turno da eleição. Os
muros, contudo, só aumentaram. - Janja tem tanto os gastos com o séquito de assessores que lhe servem, quanto
sua agenda de atividades e suas despesas com seus passeios pelo mundo
afora bloqueados sob o manto de sigilos de 100 anos determinados pelo
governo Lula. - Os gastos com o cartão corporativo da Presidência da República também
estão sob proteção. São R$ 55 milhões – ou uma média de R$ 2 milhões por
mês – que ninguém sabe aonde foram parar. - Neste ano, a lista também vinha incluindo os polpudos honorários pagos a
funcionários da Advocacia-Geral da União. Eram R$ 2,5 bilhões que estavam
sem poder ser fiscalizados – a medida foi revogada na semana passada após o
Metrópoles denunciar mais este sigilo. - A opacidade também envolve o direito dos cidadãos a conhecer dados
oficiais que deveriam ser públicos. Apenas no primeiro ano de gestão, o
governo Lula impôs sigilo a 1.339 pedidos protocolados com base na Lei de
Acesso à Informação. - O desapreço pela transparência é marca registrada de gestões petistas.
Quase três anos depois de sua promessa eleitoral, Lula continua sem deixar o
povo brasileiro conhecer o que seu governo faz. Certamente, é porque tem
muito a esconder.