Edição 65

Edição 65

Frente a tarifaço, caminho é mais Brasil, menos Lula

  • O empenho de empresas e empresários brasileiros, em parceria com
    importadores dos EUA, foi decisivo para que o país fosse menos prejudicado
    pelas sanções impostas por Donald Trump. O Brasil conseguiu atenuar o
    tarifaço apesar de Lula, e não por méritos do presidente e seu governo.
  • A partir desta quarta-feira (6), o Brasil torna-se o país em todo o mundo sujeito
    às maiores tarifas de importação para entrar nos EUA. Nem a China, inimiga
    explícita do presidente americano, foi condenada a pagar 50% de imposto.
  • Em valor, conforme diferentes fontes, quase 60% das vendas do Brasil para os
    EUA serão prejudicadas pelo tarifaço – embora o governo Lula, num cálculo
    distorcido que não encontra amparo na realidade, sustente que é bem menos.
    Pequenas e médias empresas são quem mais perde.
  • A tarifa média dos 69 países afetados pelo tarifaço ficou em 18%; a do Brasil,
    mesmo com as isenções, ainda será de cerca de 30%. O país também foi uma
    das 20 nações punidas com tarifas maiores que as anunciadas por Trump
    em abril – no outro extremo, 26 conseguiram baixar alíquotas.
  • Numa pauta com mais de 3,8 mil itens exportados, apenas 694 ficarão isentos
    da sobretaxa – e, destes, 565 são produtos destinados à aviação civil, segundo
    a CNI, num afago direto à Embraer. É mais uma evidência de que quem
    equilibrou o jogo foi a atuação das empresas, e não o governo petista.
  • A gestão Lula continua sem interlocução com o governo dos EUA, país que
    compra 12% do que o Brasil exporta. “No total, os negociadores brasileiros
    tiveram seis reuniões virtuais e apenas uma presencial com seus pares
    americanos”, computou O Globo.
  • O chanceler brasileiro só foi recebido pelo governo americano momentos
    antes do anúncio da confirmação do tarifaço, num ato quase protocolar na
    quarta-feira (30). O ministro da Fazenda continua esperando para falar com o
    secretário do Tesouro dos EUA e Lula continua sem conversar com Trump.
  • O governo Lula ajudou pouco – ou mesmo atrapalhou com suas atitudes
    provocadoras. Como, por exemplo, a persistência na criação de uma moeda
    alternativa ao dólar, bandeira que não anima sequer seus parceiros nos Brics e
    na qual apenas o presidente brasileiro insiste.
  • A agressão impetrada por Trump ao país encontra repúdio maciço dos
    brasileiros. Segundo o Datafolha, 77% dizem que o tarifaço vai refletir no
    próprio bolso e 89% o consideram prejudicial ao Brasil.
  • O governo Lula cogita ajudar empresas afetadas. Mas o risco é o socorro
    significar uma nova política de “campeões nacionais”, que só serviu para
    privilegiar amigos do rei, deixando uma conta bilionária para o país.
  • Ainda muito sujeito a práticas protecionistas, o Brasil deveria aproveitar o
    momento para abrir-se mais ao mundo – nossa participação no comércio
    internacional é de apenas 1% e só 13% das nossas exportações ocorrem sob
    acordos comerciais.
  • O Brasil ainda tem condições de ampliar a lista de exceções ao tarifaço. Basta
    que o governo do PT não atrapalhe e não lance retaliações que minem a
    possibilidade de negociações.
  • Lula também precisa parar de transformar qualquer oportunidade em
    palanque eleitoral, como cogita fazer em novo pronunciamento à nação
    previsto para esta terça-feira (5).
  • A saída para ainda salvar quem foi sobretaxado é não depender do governo
    brasileiro. O que é preciso agora é mais negociação, menos politização. Mais
    conversa, menos gritos. Mais comércio, menos protecionismo. O caminho é
    mais Brasil, menos Lula.

Tarifas impostas a importações feitas pelos EUA (em %)

Fonte: Governo dos EUA/Casa Branca. *Países selecionados.


POLARIZAÇÃO

Extremos ocupam ruas para defender o indefensável

  • O último domingo (3) foi palco de espetáculos deprimentes protagonizados
    pelas duas forças políticas extremistas brasileiras. Novamente, petismo e
    bolsonarismo se mostraram cada vez mais parecidos entre si, sobretudo na
    sabotagem ao país.
  • O PT usou seu congresso nacional para tentar reabilitar figuras nefastas para
    a vida pública do Brasil. Protagonistas dos maiores escândalos de corrupção
    da história receberam tapete vermelho e loas de agradecimento de Lula e dos
    petistas.
  • O esforço do petismo visa levar de volta ao Congresso Nacional figuras
    célebres pelo envolvimento com o mensalão, como José Dirceu, além de
    tentar limpar a barra de gente como os ex-tesoureiros Delúbio Soares e João
    Vaccari Neto, também acusados pela roubalheira.
  • A claque petista os considera “guerreiros do povo brasileiro”, mas para a
    Justiça brasileira eles formavam uma “organização criminosa”, conforme
    acusação analisada no âmbito dos julgamentos no STF há dez anos.
  • Do outro lado do extremo político, manifestações em todo o país promovidas
    por apoiadores de Jair Bolsonaro celebraram medidas tomadas contra o
    Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nas últimas semanas.
  • Tanto o tarifaço, quanto a agressão institucional ao STF promovidos pelo
    governo americano foram comemorados. É mais um sinal de que, para a
    extrema direita nacional, é “Jair acima de tudo”.
  • A população brasileira, contudo, demonstra que cada vez mais rechaça
    posturas políticas extremistas.
  • Pesquisa do Datafolha divulgada nos últimos dias informa que apenas 6% da
    população considera que o Brasil deveria atender as chantagens de Trump e
    57% avaliam que o americano está errado em exigir da Justiça brasileira que
    anule processos contra Bolsonaro.
  • Quando os extremos políticos, mais uma vez, vão a público defender o
    indefensável, sempre deixando os interesses do país em enésimo plano, fica
    ainda mais claro que o que o Brasil precisa é restaurar o equilíbrio e a
    responsabilidade, comprometidos com quem realmente importa: o povo.
WhatsApp
Telegram
Facebook
X
Threads
LinkedIn
Email

Mais edições

Edição 119

Edição 118

Edição 117

plugins premium WordPress