O que importa é cuidar melhor dos brasileiros

Edição 115
  • As campanhas às eleições de outubro começaram oficialmente neste domingo (16). Pelo que se pôde vislumbrar até agora, tem importado pouco aos candidatos apresentar respostas e soluções para os problemas reais dos brasileiros.
  • Depois de cinco mandatos petistas, o país acumula desafios, retrocessos e dificuldades que obrigarão o próximo presidente da República – caso tenha um mínimo de compromisso cívico – a tomar medidas duras.
  • A agenda do país é reformista, mas faltam candidatos que demonstrem disposição para realizar o que de fato é necessário. Os favoritos – cada um representando um dos extremos políticos que vem afundando o país – ainda não exibiram a disposição que a gravidade do momento exige.
  • A lista de desafios é longa, a começar pela principal preocupação da população atualmente: a falta de segurança. Um país onde mais de 40 mil pessoas são mortas por ano está longe de ser um lugar digno de viver.
  • Nesse quesito, o que os brasileiros esperam é mais rigor no cumprimento da lei e da garantia da ordem, com punição a quem amedronta milhões de famílias com a violência. Não dá mais para o governo federal continuar de braços cruzados: seu papel deve ser de liderança.
  • A saúde aparece em seguida no rol de prioridades. Nunca antes, tanta gente esperou tanto tempo por atendimento. A fila de consultas e exames é a maior da história, enquanto a participação federal no financiamento do SUS é cadente, sobrecarregando ainda mais estados e municípios.
  • A gestão do cuidado, tendo a atenção primária como coordenadora e ordenadora da assistência, e a medicina baseada em evidências continuam sendo miragem no sistema público de saúde, às voltas com custos cada vez mais altos e orçamentos cada vez mais apertados.
  • A educação brasileira continua caminhando a passos lentíssimos, com desempenho muito abaixo dos padrões internacionais. A aprendizagem precisa ajudar os jovens a trilhar caminhos mais prósperos, mas o ensino das escolas continua distante da realidade dos alunos.
  • No entanto, não haverá justiça social se não houver responsabilidade fiscal. E, também nesse aspecto, a trajetória do país degringolou nas mãos do governo Lula, com uma explosão da dívida pública só antes vista na época do desastre de Dilma Rousseff.
  • O Brasil precisa tornar-se um país com menos privilégios, menos entraves ao investimento privado e com um Estado que se dedique ao que é seu papel intransferível, longe da interferência excessiva que marca as gestões petistas. O modelo atual condena o país a um crescimento medíocre.
  • Serão 45 dias até o encontro do eleitor com as urnas, em 4 de outubro. Espera-se que os candidatos assumam o compromisso de cuidar melhor da população – o que talvez seja pedir demais aos postulantes inscritos na disputa deste ano.

Variação real do PIB brasileiro (em %)

Fontes: Fundo Monetário Internacional/World Economic Outlook Database (FMI/WEO)
e Banco Central do Brasil/Boletim Focus. *Projeções.

Agro sofre mais com PT do que com El Niño

  • Na quinta-feira (13), a Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos confirmou o que mais se temia: o El Niño desta temporada vem com tudo. As chances de um fenômeno climático “muito forte” até janeiro de 2027 são de 9 em 10.
  • A ocorrência de eventos extremos no clima vai pegar os produtores rurais brasileiros no contrapé. Sob a ameaça de chuvas intensas e/ou secas severas, as lavouras do país encontram-se no pior patamar de exposição a riscos em dez anos.
  • Neste ano-safra, o país terá somente 2,8% da sua área agrícola cultivada protegida por seguro subvencionado pelo governo, de acordo com a FGV/Agro. Serão só 2,7 milhões de hectares, o que representa queda de 80% em relação a 2021, quando a cobertura contra sinistros no campo atingiu seu ápice no país.
  • Em resposta, o governo Lula limita-se a reciclar promessas. Quase nada dos R$ 1,3 bilhão anunciados em fins de julho para preparação e resposta aos efeitos do El Niño são recursos efetivamente novos. Além disso, R$ 462 milhões continuam bloqueados.
  • O dinheiro que o governo petista pôs à disposição de produtores rurais equivale a apenas 20% do que é considerado o piso mínimo para proteger a atividade agrícola das intempéries do El Niño, estimado em R$ 2,6 bilhões.
  • O campo não sofre apenas com a ameaça climática. Encontra-se também bastante endividado, em função das altas taxas de juros resultantes da gastança petista, e com margens pressionadas por fatores externos como a guerra no Oriente Médio. Além disso, a renegociação das dívidas agrícolas está travada nos bancos.
  • Tudo considerado, não é difícil perceber que a gestão Lula maltrata quem produz alimentos, gera emprego e renda no campo e movimenta tanto a balança comercial quanto a economia do interior do país. O PT faz mais mal ao agro do que as chuvas e trovoadas do clima.
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