Sob o PT, Brasil prolonga dependência da pobreza
- É sempre bom quando estatísticas apontam melhoria das condições de vida das pessoas. Avanços merecem ser comemorados. O problema é quando os dados e as evidências mais escondem do que revelam.
- É o que acontece com as estatísticas sobre pobreza no Brasil. Divulgadas pelo IBGE na quinta-feira (4), elas apontam queda no total de pobres e miseráveis no país em 2024: seriam agora 48,9 milhões de pobres e 7,4 milhões de miseráveis.
- Embora em desejável queda, números assim já seriam motivo de vergonha, pois mostram que 1 de cada 4 brasileiros vive em situação de pobreza – mais que a população do estado de São Paulo. Mas nuances da pesquisa revelam situação bem pior.
- Quando se excluem os benefícios advindos de programas sociais, o número de miseráveis quase triplica: 10% dos brasileiros (e não apenas 3,5%) seriam extremamente pobres e quase 29% (e não 23%) estariam em situação de pobreza.
- Chama atenção que, em 2024, sem os benefícios, a proporção de extremamente pobres era maior do que a de 2012 (dado mais antigo da série do IBGE): 10% e 9,5%, respectivamente.
- Com isso, fica evidente que, embora meritórios, programas como o Bolsa Família, que hoje atende 48 milhões de pessoas, apenas eternizam a dependência dos beneficiários e não, como deveriam, os ajudam a superar a condição de pobreza.
- Mas tem mais: o número real de pobres e extremamente pobres existentes no país é hoje, certamente, maior que o anunciado pelo IBGE. Não se trata de crítica vazia da oposição, mas sim de constatação estatística. Aos fatos.
- Na divulgação deste ano, o IBGE continuou usando parâmetros de poder de compra fixados pelo Banco Mundial em 2017 – logo, totalmente defasados. No entanto, em junho, levando em conta a inflação global acumulada até 2021, a instituição global reviu os valores mínimos acima dos quais o indivíduo deixa de ser considerado miserável – que passou de US$ 2,15 para US$ 3 por dia – ou pobre – de US$ 6,85 para US$ 8,30.
- O IBGE, contudo, preferiu não corrigir seus cálculos, já que isso impediria o governo Lula de alardear melhorias. É matemático: se fosse considerada a evolução real dos preços sobre os padrões de referência, o total de pobres e miseráveis no Brasil seria muito maior.
- Para se ter ideia, apenas com a mudança de parâmetro, a extrema pobreza global cresceu 17%, segundo informou o Banco Mundial. Ainda que em proporções distintas, dificilmente não ocorreu o mesmo no Brasil – para se ter ideia, entre 2017 e 2021 a inflação oficial do país variou 24,5% e de lá para cá mais 20,3%.
- Combater a pobreza é missão de qualquer governo sério. Mas o objetivo deve ser gerar oportunidades de prosperidade e independência em relação ao Estado brasileiro. Mas às gestões do PT o que parece interessar mesmo é perpetuar uma situação que acaba lhes servindo como ativo a cada eleição.
“Sempre defendemos que as políticas sociais devem ajudar as pessoas a prosperar e a caminhar com as próprias pernas. Os governos do PT sempre preferiram mantê-las dependentes.”
Aécio Neves – Deputado federal e presidente nacional do PSDB
Proporção de pobres e miseráveis, sem benefícios sociais (em %)

‘HERANÇA BENDITA’
Iniciativa tucana para Aids ainda é referência global
- Em fins da década de 1990, o Brasil tornou-se referência mundial na prevenção, no controle e na assistência aos portadores do vírus HIV. Passados quase 30 anos, a exitosa política lançada pelo governo do PSDB continua salvando vidas.
- Foram duas as razões do sucesso: campanhas massivas de conscientização, acompanhadas de ampla oferta de preservativos, e distribuição gratuita de medicamentos antiretrovirais de última geração pelo SUS a partir de 1996, com a lei n° 9.313.
- A política bem-sucedida também envolveu enfrentamento de interesses poderosos, como os da indústria farmacêutica. Em 2001, o então ministro da Saúde, José Serra, ameaçou quebrar patentes de dois remédios do coquetel antiaids por abuso do poder econômico. A ameaça levou a um acordo com preços 48% menores.
- Uma das maiores evidências de que o êxito da política lançada pelo governo Fernando Henrique não foi superado até hoje é que o número de novos casos da doença mantém-se atualmente no mesmo patamar do início deste século: perto de 37 mil por ano, de acordo com o Ministério da Saúde.
- O número de óbitos por Aids no país teve alteração pouco significativa ao longo das duas últimas décadas. Em 2024, 9 mil morreram por causa da doença, ante 11 mil em 2002 – último da gestão do PSDB. O recorde foi alcançado em 2015, no governo Dilma, com 12,6 mil mortes causadas pelo HIV.
- A iniciativa brasileira de prevenção e controle de uma doença antes altamente letal como a Aids é exemplo de como políticas públicas que visam a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos produzem efeitos positivos de longo prazo. É mais uma das heranças benditas legadas pelo governo tucano aos brasileiros.