Novas pedaladas ampliam ‘arcabouço de exceções’
- As medidas anunciadas na quinta-feira (14) em resposta ao tarifaço deixaram
clara, mais uma vez, a incapacidade do governo Lula de respeitar limites
fiscais. De exceção em exceção, o orçamento petista tornou-se mera peça
de ficção. - O governo destinou R$ 30 bilhões para socorrer empresas prejudicadas pelas
tarifas de 50% aplicadas a importações feitas pelos Estados Unidos
provenientes do Brasil. Desse total, R$ 9,5 bilhões ficarão fora da meta fiscal
até 2026, degradando ainda mais o ambiente de negócios no país. - Parte do valor (R$ 4,5 bilhões) será aportado em fundos garantidores e parte
(R$ 5 bilhões) são renúncias de receitas – mais uma – relacionadas a
exportações. Poderia fazer sentido se fosse apenas mais uma
excepcionalidade. Mas burlar o orçamento é regra no governo do PT. - A contabilidade criativa petista tem se repetido desde 2023, quando o atual
arcabouço fiscal entrou em vigor. Até 2026, perto de R$ 400 bilhões terão
sido excluídos das metas de gastos, de acordo com O Estado de S.Paulo
desta segunda-feira (18). - Isso acontece porque, ao invés de tentar equilibrar as contas, o governo Lula
prefere permitir mais gastos com vistas a alimentar o projeto de reeleição
de Lula. Em julho, o governo do PT liberou mais R$ 20,6 bilhões para mais
despesas, ancorado na arrecadação recorde de impostos. - Ou seja, o dinheiro extra destinado à gastança há menos de um mês poderia
muito bem ter sido usado agora no auxílio (correto para a preservação da
produção das empresas e de empregos) aos exportadores brasileiros, sem
achincalhar ainda mais o compromisso fiscal. - A frouxidão fiscal petista é tanta, que, para este ano, a meta de “déficit zero”
será considerada formalmente cumprida mesmo que, até dezembro, o país
registre rombo próximo de R$ 76 bilhões, como está previsto. - Em auditoria recente, o Tribunal de Contas da União constatou que a gestão
Lula tem adotado mecanismos que maquiam gastos, escondendo-os de
forma reiterada à margem do Orçamento Geral da União. Ou seja, longe do
escrutínio da sociedade.
- Entra de tudo no buraco negro das pedaladas fiscais petistas: auxílio-gás,
dinheiro para os programas Pé-de-Meia (com mais de R$ 10 bilhões neste ano)
e Minha Casa Minha Vida e até bilionários honorários pagos a servidores da
Advocacia-Geral da União. - A farra fiscal começou antes mesmo da posse de Lula, quando o PT brigou
para aprovar a PEC da Transição no Congresso, estendendo benefícios
sociais que haviam sido criados para lidar com a situação excepcional nascida
da pandemia da covid-19. - “Responsabilidade fiscal não é perversão de quem examina as contas
públicas com cuidado e zelo. É, isto sim, a forma mais adequada de fazer
justiça social”, resume o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado
Aécio Neves (PSDB-MG). - As consequências do descompromisso fiscal que é a tônica dos governos do
PT são taxas de juros mais altas (atualmente, no maior patamar dos
últimos 20 anos), inflação e pressão sobre o câmbio. - Tudo isso resvala de forma negativa no bolso e na vida dos brasileiros:
quem paga a conta do permanente desequilíbrio entre gastos e receitas é a
população.
Resultado primário mensal do governo central (em R$ bilhões)

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional/Ministério da Fazenda. Em valores de junho/25 pelo IPCA.
DINHEIRO MAIS CURTO
Juros e inflação fazem dívidas e quebradeiras explodirem
- Há alguns dias, Lula reclamou de seus vencimentos. Para ele, os R$ 46 mil a que
faz jus como presidente da República “não é muito”. É de se imaginar como
ele faria se tivesse que se virar com as dificuldades que os brasileiros estão
enfrentando em seu dia a dia – na maioria das vezes, com um salário mínimo ou
menos. - A renda média do país é hoje de R$ 3.477, segundo o IBGE. Ou seja, o presidente
recebe 13 vezes a média nacional e situa-se entre o 1% da população que
ganha mais de 20 salários-mínimos mensais. - Lula tem todas as suas despesas pagas pelo povo e demonstra alienação em
relação à penúria em que a maioria dos brasileiros está vivendo. Em julho,
disse que o único número negativo da economia em seu governo são os 15%
anuais da taxa básica de juros. Quem dera. - Corroído pela inflação e pelos juros estratosféricos, o dinheiro curto fez disparar
o endividamento, a inadimplência e a bancarrota de empresas. - Hoje, um em cada três brasileiros tem dívidas em atraso, segundo a
Confederação Nacional do Comércio. É o maior patamar em quase dois anos.
Mais de 78 milhões de brasileiros estão com nome sujo nos serviços de
proteção ao crédito, segundo a Serasa. Um recorde. - O aperto financeiro também vitima as empresas. O número de falências
bateu recorde no primeiro semestre, informou o Valor Econômico nesta
terça-feira (19). Há, ainda, 7,7 milhões de companhias com contas em atraso. - Também dispararam os pedidos de recuperação judicial, quando uma firma
tenta renegociar suas dívidas para não fechar as portas. Hoje, 4.965 empresas
estão nesta situação no país. Outro recorde. - Quando os gastos do governo excedem as receitas, como é praxe nas gestões
do PT, o desequilíbrio resulta em juros ainda mais altos para rolar a dívida
pública. Junto, a inflação segue corroendo os salários. Não tem mágica: a
irresponsabilidade fiscal petista só piora as condições de vida da população e
a sobrevivência das empresas.