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Edição 67

Novas pedaladas ampliam ‘arcabouço de exceções’

  • As medidas anunciadas na quinta-feira (14) em resposta ao tarifaço deixaram
    clara, mais uma vez, a incapacidade do governo Lula de respeitar limites
    fiscais. De exceção em exceção, o orçamento petista tornou-se mera peça
    de ficção.
  • O governo destinou R$ 30 bilhões para socorrer empresas prejudicadas pelas
    tarifas de 50% aplicadas a importações feitas pelos Estados Unidos
    provenientes do Brasil. Desse total, R$ 9,5 bilhões ficarão fora da meta fiscal
    até 2026, degradando ainda mais o ambiente de negócios no país.
  • Parte do valor (R$ 4,5 bilhões) será aportado em fundos garantidores e parte
    (R$ 5 bilhões) são renúncias de receitas – mais uma – relacionadas a
    exportações. Poderia fazer sentido se fosse apenas mais uma
    excepcionalidade. Mas burlar o orçamento é regra no governo do PT.
  • A contabilidade criativa petista tem se repetido desde 2023, quando o atual
    arcabouço fiscal entrou em vigor. Até 2026, perto de R$ 400 bilhões terão
    sido excluídos das metas de gastos, de acordo com O Estado de S.Paulo
    desta segunda-feira (18).
  • Isso acontece porque, ao invés de tentar equilibrar as contas, o governo Lula
    prefere permitir mais gastos com vistas a alimentar o projeto de reeleição
    de Lula. Em julho, o governo do PT liberou mais R$ 20,6 bilhões para mais
    despesas, ancorado na arrecadação recorde de impostos.
  • Ou seja, o dinheiro extra destinado à gastança há menos de um mês poderia
    muito bem ter sido usado agora no auxílio (correto para a preservação da
    produção das empresas e de empregos) aos exportadores brasileiros, sem
    achincalhar ainda mais o compromisso fiscal.
  • A frouxidão fiscal petista é tanta, que, para este ano, a meta de “déficit zero”
    será considerada formalmente cumprida mesmo que, até dezembro, o país
    registre rombo próximo de R$ 76 bilhões, como está previsto.
  • Em auditoria recente, o Tribunal de Contas da União constatou que a gestão
    Lula tem adotado mecanismos que maquiam gastos, escondendo-os de
    forma reiterada à margem do Orçamento Geral da União. Ou seja, longe do
    escrutínio da sociedade.
  • Entra de tudo no buraco negro das pedaladas fiscais petistas: auxílio-gás,
    dinheiro para os programas Pé-de-Meia (com mais de R$ 10 bilhões neste ano)
    e Minha Casa Minha Vida e até bilionários honorários pagos a servidores da
    Advocacia-Geral da União.
  • A farra fiscal começou antes mesmo da posse de Lula, quando o PT brigou
    para aprovar a PEC da Transição no Congresso, estendendo benefícios
    sociais que haviam sido criados para lidar com a situação excepcional nascida
    da pandemia da covid-19.
  • “Responsabilidade fiscal não é perversão de quem examina as contas
    públicas com cuidado e zelo. É, isto sim, a forma mais adequada de fazer
    justiça social”, resume o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado
    Aécio Neves (PSDB-MG).
  • As consequências do descompromisso fiscal que é a tônica dos governos do
    PT são taxas de juros mais altas (atualmente, no maior patamar dos
    últimos 20 anos), inflação e pressão sobre o câmbio.
  • Tudo isso resvala de forma negativa no bolso e na vida dos brasileiros:
    quem paga a conta do permanente desequilíbrio entre gastos e receitas é a
    população.

Resultado primário mensal do governo central (em R$ bilhões)


Resultado primário mensal do governo central (em R$ bilhões)

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional/Ministério da Fazenda. Em valores de junho/25 pelo IPCA.


DINHEIRO MAIS CURTO

Juros e inflação fazem dívidas e quebradeiras explodirem

  • Há alguns dias, Lula reclamou de seus vencimentos. Para ele, os R$ 46 mil a que
    faz jus como presidente da República “não é muito”. É de se imaginar como
    ele faria se tivesse que se virar com as dificuldades que os brasileiros estão
    enfrentando em seu dia a dia – na maioria das vezes, com um salário mínimo ou
    menos.
  • A renda média do país é hoje de R$ 3.477, segundo o IBGE. Ou seja, o presidente
    recebe 13 vezes a média nacional e situa-se entre o 1% da população que
    ganha mais de 20 salários-mínimos mensais.
  • Lula tem todas as suas despesas pagas pelo povo e demonstra alienação em
    relação à penúria em que a maioria dos brasileiros está vivendo. Em julho,
    disse que o único número negativo da economia em seu governo são os 15%
    anuais da taxa básica de juros. Quem dera.
  • Corroído pela inflação e pelos juros estratosféricos, o dinheiro curto fez disparar
    o endividamento, a inadimplência e a bancarrota de empresas.
  • Hoje, um em cada três brasileiros tem dívidas em atraso, segundo a
    Confederação Nacional do Comércio. É o maior patamar em quase dois anos.
    Mais de 78 milhões de brasileiros estão com nome sujo nos serviços de
    proteção ao crédito, segundo a Serasa. Um recorde.
  • O aperto financeiro também vitima as empresas. O número de falências
    bateu recorde no primeiro semestre, informou o Valor Econômico nesta
    terça-feira (19). Há, ainda, 7,7 milhões de companhias com contas em atraso.
  • Também dispararam os pedidos de recuperação judicial, quando uma firma
    tenta renegociar suas dívidas para não fechar as portas. Hoje, 4.965 empresas
    estão nesta situação no país. Outro recorde.
  • Quando os gastos do governo excedem as receitas, como é praxe nas gestões
    do PT, o desequilíbrio resulta em juros ainda mais altos para rolar a dívida
    pública. Junto, a inflação segue corroendo os salários. Não tem mágica: a
    irresponsabilidade fiscal petista só piora as condições de vida da população e
    a sobrevivência das empresas.

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