O ainda lentíssimo avanço da educação brasileira

Edição 114
  • A educação continua sendo um dos maiores atrasos do país. Os avanços, quando acontecem, são muito mais lentos do que o necessário e, por vezes, escondem artifícios que nada têm a ver com melhoria do desempenho escolar dos alunos.
  • A divulgação, na semana passada (5), do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativo a 2025 reforçou, mais uma vez, a constatação de que o ensino ofertado a crianças e jovens brasileiros ainda está muito aquém do mínimo desejável.
  • Na séries finais do ensino fundamental, a nota média alcançada pelos estudantes no ano passado (5,3) ainda está abaixo da meta prevista para 2021 (5,5). Para o ensino médio, é ainda pior: a média mais recente alcançada (4,5) é inferior até ao alvo traçado para 2017 (4,7).
  • É verdade que os indicadores de todas as etapas de ensino melhoraram na comparação com a rodada anterior, de 2023. No entanto, boa parte do progresso deve-se a um artifício: a adoção, por estados, de regras para evitar a reprovação dos alunos, a chamada progressão continuada.
  • O Ideb é composto pela avaliação do aprendizado em matemática e língua portuguesa e pela taxa de aprovação dos estudantes nos respectivos ciclos. O segundo quesito permite que uma unidade da federação obtenha desempenho final melhor, mesmo que não mostre aprimoramento de aprendizagem.
  • Medida desde 2005, a queda na reprovação e no abandono escolar responde por 54% da melhoria do Ideb dos anos finais do ensino fundamental na rede pública e por 67% no ensino médio, segundo o pesquisador da FGV Alexandre Schneider.
  • A análise do que aconteceu com as notas médias das duas disciplinas desde que o Ideb foi adotado, em 2005, é reveladora da lentidão da evolução do ensino brasileiro nestas últimas duas décadas.
  • A nota média de matemática aumentou meros 8,5 pontos, para 268,5, e a de língua portuguesa subiu 24,6 pontos, para 273,3. Significa que a melhoria foi de 3% e 11,2%, respectivamente – em 20 anos! É muito pouco para tanto tempo e bem abaixo do que é considerado ideal: 350 e 300 pontos, respectivamente.
  • Tudo considerado, significa que o país até evolui, mas continua num patamar baixo demais se a aspiração for ter um ensino que crie oportunidades iguais, amplie o crescimento e distribua renda – como acontece em nações em que a educação foi convertida em prioridade máxima.
  • O Ideb atesta que os alunos brasileiros aprendem menos à medida em que progridem na educação básica. Tanto que os resultados do ensino médio continuam reiteradamente sendo os mais decepcionantes entre as etapas escolares avaliadas.
  • Uma educação que realmente se dedique a ensinar deve garantir alfabetização na idade certa, recuperar defasagens sem uso de artifícios, ampliar a colaboração entre os diversos níveis da administração, intensificar o uso de indicadores e melhorar (e muito) a formação de professores.

Ideb médio nacional, de acordo com a etapa de ensino

Fonte: Ministério da Educação. *O Ideb só tem metas traçadas até 2021; então, até a definição de novos marcos pelo MEC, a meta daquele ano ainda é utilizada como referência.

A corrupção, de novo, na antessala do Planalto

  • Em cada um de seus ciclos de poder, o PT tem um novo escândalo de corrupção para chamar de seu. Primeiro foi o mensalão, depois veio o petrolão e agora é a vez do “descontão”, que surrupiou mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS.
  • Todos eles têm uma característica comum: não são escândalos periféricos, que envolvam bagrinhos miúdos. Ocorrem, sempre, nas barras da presidência da República. Está acontecendo agora, mais uma vez, com Luiz Inácio Lula da Silva.
  • Primeiro foi o envolvimento do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Pela proximidade excessiva com alguns dos artífices do escândalo que drenou aposentadorias e pensões, ele já é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Polícia Federal.
  • Na semana passada, o escândalo escalou mais alguns degraus do Palácio do Planalto, com o envolvimento de Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, em um suspeitíssimo “empréstimo” obtido junto a outra protagonista do “descontão”, Roberta Luchsinger.
  • Roberta teve as portas da gestão petista escancaradas: fez mais de 40 visitas fora da agenda pública a órgãos do governo Lula desde janeiro de 2023. Amiga de Lulinha e parceira do principal acusado do escândalo, o Careca do INSS, ela é tida como “peça-chave” do esquema de tráfico de influência que vigorou no atual mandato de Lula.
  • Lula, como sempre, contemporizou a bandalheira e afirmou que “quem nunca” pediu empréstimo para algum conhecido? Dezenas de milhões de brasileiros podem responder que jamais fizeram nada parecido…
  • Não é coincidência que a corrupção seja recorrente nas administrações petistas. É um modus operandi que se alicerça na predação do patrimônio público em favor de interesses particulares e partidários. Ou o Brasil se livra desses cupins ou esses cupins acabam com o Brasil.
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