Edição 61

Edição 61

Os verdadeiros inimigos da democracia

  • Respeito às instituições é fundamento de qualquer democracia. Harmonia
    entre poderes, tolerância ao contraditório e integridade de propósito são (ou
    deveriam ser) condição inegociável. Não para o PT.
  • O partido de Lula só abraça estes princípios quando lhe beneficiam –
    sobretudo eleitoralmente. Seu respeito pela democracia brasileira e suas
    instituições é meramente de conveniência.
  • É o que está acontecendo novamente agora com a campanha para
    desmoralizar o Congresso Nacional e jogar a sociedade contra deputados e
    senadores, tachando-os de “inimigos do povo”.
  • A estratégia é mais um capítulo da reiterada política petista de divisão dos
    brasileiros, o famigerado “nós contra eles” que o PT cevou e, sempre que se
    viu ameaçado de perder do poder, pôs em prática nas últimas décadas.
  • A história do PT é uma sucessão de desapreços à democracia brasileira.
    Vejamos.
  • Poucos anos após a sua criação, em 1985 o PT teve oportunidade de ficar ao
    lado da democracia na eleição que deu fim a 24 anos de ditadura militar. Mas
    recusou-se a dar voto a Tancredo Neves no colégio eleitoral e ainda expulsou
    seus deputados que o fizeram.
  • Logo depois, seria a vez de Lula (então deputado) e seu partido negarem-se a
    assinar a Constituição de 1988, que trazia em seu texto conquistas
    importantes para os brasileiros, como, por exemplo, a previsão de criação do
    SUS e de mecanismos de proteção social.
  • Com o impeachment de Fernando Collor de Mello, o PT, mais uma vez, teve
    chance de ficar ao lado do Brasil. Preferiu, de novo, virar as costas: rejeitou
    apoio ao presidente Itamar Franco (1992-1994) e ainda mandou embora
    quem aceitou participar do governo.
  • Naquela época, o país vivia o inferno da hiperinflação. Mas o PT não estava
    nem aí para a carestia que vitimava especialmente os mais pobres. Em 1994,
    fez sórdida campanha contra o Plano Real, apenas por enxergar na tão
    sonhada estabilização monetária uma ameaça ao projeto de poder de Lula.
  • Veio o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e o
    petismo radicalizou ainda mais na oposição aos interesses do país. Lutou
    diuturnamente nas ruas e no Congresso para tentar impedir qualquer avanço
    estrutural que modernizasse o Brasil, promovido pelo PSDB.
  • Fiel a seu DNA estatista e retrógrado, o PT foi contra as privatizações, que,
    entre outras conquistas, puseram fim a um tempo da história brasileira em que
    ter uma linha telefônica era privilégio de rico.
  • Coerente com seu perfil irresponsável e gastador, em 2000 foi contra a Lei de
    Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu os princípios de política
    econômica que vigoram até hoje no país.
  • A partir de sua chegada ao poder, em 2003, o PT aguçou sua postura
    divisionista e sectária, assacada sempre que a realidade colide com os planos
    dominadores do partido. Foi assim em todas as últimas eleições desde então.
    Para o partido, adversário sempre foi inimigo a ser eliminado.
  • Em 2022, Lula apresentou-se ao eleitorado como o único que, supostamente,
    seria capaz de deter ameaças à nossa democracia. Só acreditou na falácia
    quem quis. O histórico petista já era mais que suficiente para demonstrar o
    contrário.
  • Agora, novamente, os petistas investem contra as instituições brasileiras
    com táticas típicas de regimes totalitários. É um risco enorme, semelhante ao
    que assistimos, de forma recorrente, acontecer em ditaduras esquerdistas
    como as que o petismo adora elogiar.
  • Deter o PT não significa apenas uma questão política e eleitoral; é questão de
    compromisso com os valores do Estado democrático de direito. Quem é a
    favor do Brasil não tem como estar com os verdadeiros inimigos da nossa
    democracia. Porque, sempre que teve que escolher entre o país e o PT, o PT
    escolheu o PT.

DIPLOMACIA

PT expande sua ‘coligação global da corrupção’

  • Se, no front interno, o desapreço de Lula e seu partido pela democracia são
    flagrantes, a política externa brasileira tem cada vez mais se alinhado a regimes
    totalitários, governos e lideranças corruptas, em prejuízo dos interesses do país.
  • O mais recente gesto nesta direção foi o apoio do presidente brasileiro à expresidente da Argentina, Cristina Kirchner. Condenada (por unanimidade,
    em processo que levou nove anos) por crime de “administração fraudulenta
    em detrimento do Estado” durante seus dois governos, ela cumpre pena de
    seis anos em prisão domiciliar. Lula a quer livre.
  • Ou seja, em visita oficial ao país vizinho na semana passada, o petista
    promoveu uma afronta à Justiça e até mesmo ao atual governo argentino –
    numa postura, sobretudo, avessa à conveniência brasileira.
  • O apoio de Lula e do PT a esta espécie de “coligação global da corrupção”
    vem de longa data e ora se acentua. Inclui, também, a concessão, com direito
    a jato da FAB, de asilo diplomático à ex-primeira-dama do Peru, Nadine
    Heredia, sentenciada a 15 anos de cadeia por lavagem de dinheiro.
  • Há, ainda, o alinhamento da diplomacia do PT a nações reconhecidas por
    abrigarem líderes truculentos – como a Indonésia, recém-filiada aos Brics sob
    as bênçãos de Lula – e/ou classificadas nas piores posições nos rankings
    globais de corrupção, como Cuba, Irã, Nicarágua e Venezuela, de acordo com
    a Transparência Internacional.
  • Também colide com a tradição diplomática brasileira a orientação dada aos
    Brics sob a presidência brasileira, levando a política externa do país a passar a
    ser vista como pouco influente e “hostil” ao Ocidente.
  • Tal postura já está custando caro ao Brasil: nesta segunda-feira (7), o
    governo Donald Trump anunciou a cobrança de tarifas adicionais de 10% de
    países alinhados às “políticas antiamericanas do Brics”.
  • O alinhamento a governos autoritários e desonestos é coerente com o
    histórico petista, notabilizado pelo maior escândalo de corrupção de que se
    tem notícia, o petrolão. O problema maior é quando esta aliança nefasta vai
    contra o que realmente importa: o interesse do povo brasileiro, como está
    acontecendo agora na gestão Lula.
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