- A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia coroa o trabalho de uma geração da diplomacia brasileira. As bases para o livre-comércio entre os dois blocos regionais foram lançadas há 26 anos, no governo do PSDB.
- Naquela época, o governo brasileiro, sob o comando do presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda buscava o fortalecimento do Mercosul, estabelecido oficialmente em 1991. Mas já então a percepção era de que o país precisa de mais, e não menos, comércio internacional.
- Ao longo do período, cinco presidentes da República estiveram envolvidos nas negociações – alguns com mais, outros com menos afinco. Os progressos decisivos vieram apenas em 2019, no governo Jair Bolsonaro, relembra o embaixador José Alfredo Graça Lima, que participou do início das tratativas na década de 1990.
- Firmado no último sábado (17) em Assunção, o acordo envolve uma zona de livre comércio com 720 milhões de pessoas e PIB equivalente a R$ 136 trilhões. Funciona, ainda, como impulso ao multilateralismo num mundo cada vez mais protecionista.
- O acordo diminuirá tarifas de cerca de 90% do comércio bilateral entre os dois blocos. Abre-se mais espaço, em especial, para a entrada de produtos agrícolas sul-americanos na Europa, enquanto a compra de itens industriais europeus deve ser intensificada.
- Os efeitos, contudo, não são imediatos. Os prazos para a maior parte da desgravação tarifária variam de 12 a 15 anos, mas podem chegar a até 30 anos no caso de alguns veículos fabricados no Brasil, sublinha o Ibre/FGV. Na União Europeia, produtos agropecuários do Mercosul também estarão sujeitos a cotas.
- O comercio internacional é crucial para promover desenvolvimento e bem-estar econômico e social para a população. Sempre que o protecionismo prevalece e a economia se fecha, o país perde, seja na forma de preços mais caros para o consumidor, seja pelo menor acesso a inovações tecnológicas.
- A economia brasileira ainda está entre as mais fechadas do mundo. Nossas exportações equivalem a somente 1,4% das exportações globais, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). É, também, a mais fechada entre os países integrantes do G-20.
- Em 2024, dado mais recente disponível, o Brasil era apenas o 24° maior exportador global, atrás de países como Vietnã e Polônia. No ranking de importadores, ainda de acordo com a OMC, ocupávamos a 27ª posição.
- No ano passado, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões para a União Europeia, nosso segundo maior parceiro comercial, depois da China. Comprou de lá US$ 50,3 bilhões. O Ipea estima que o novo tratado possa ampliar o PIB brasileiro em 0,46% em 17 anos.
“O acordo com a União Europeia é uma conquista construída como política de Estado, com visão de longo prazo, profissionalismo diplomático e responsabilidade institucional.”
Aécio Neves – Deputado federal e presidente nacional do PSDB
Fluxo de comércio entre Brasil e União Europeia (em US$ bilhões)

INCHAÇO DA MÁQUINA
Número de servidores federais é o maior desde 2021
- O governo federal encerrou o ano de 2025 com 579.070 servidores civis na ativa. É o maior número anual desde 2021. No ano passado, o funcionalismo federal ganhou 4.140 novos servidores – em 2024, o aumento havia sido de 3.057 novos funcionários.
- A retomada da alta no número de servidores federais coincide com o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos três primeiros anos da atual gestão, já são 14.071 novos servidores na ativa, com aumento de 2,5% sobre o último ano da gestão Jair Bolsonaro.
- Os números oficiais até dezembro de 2025 foram disponibilizados na semana passada no ‘Painel Estatístico de Pessoal’, mantido pelo Ministério de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
- Além dos servidores efetivos, aprovados por meio de concurso, o governo petista também ampliou os cargos de confiança, ou seja, de livre provimento.
- Em dezembro de 2025, o total atingiu 50.882, o maior da história. No ano, foram criados 1.462 novos cargos comissionados. Nos três primeiros anos da atual gestão, o aumento chega a 4.529.
- O crescimento da máquina deve se acelerar neste ano. A lei orçamentária para 2026 prevê criação ou provimento de mais 81 mil vagas no Executivo federal. As despesas com funcionalismo devem atingir R$ 490 bilhões neste ano, com alta de 33% desde 2022.
- O inchaço promovido pelos governos do PT não se traduz em melhores serviços prestados à população. Ao mesmo tempo, a gestão petista resiste a apoiar iniciativas voltadas a tornar o serviço público brasileiro mais eficiente, como a reforma administrativa em discussão na Câmara dos Deputados.