Juros superam R$ 1 trilhão e dívida pública explode

Edição 88
  • As contas públicas do país estão uma verdadeira desordem. Despesas continuam maiores que receitas, o gasto com juros nunca foi tão alto e o endividamento caminha para recordes históricos. O governo Lula, porém, acha que está tudo bem.
  • Em 2025, as contas fecharam – de novo – no vermelho, no oitavo pior resultado desde 1997. Desta vez, o buraco foi de R$ 61,7 bilhões, número que a criatividade contábil da gestão petista transformou em um déficit de “apenas” R$ 13 bilhões.
  • O malabarismo repousa na exclusão de uma série de despesas do resultado fiscal final: precatórios, gastos com a fraude no INSS e dispêndios extras com educação, saúde e defesa nacional somaram R$ 49 bilhões.
  • A meta era fechar as contas no zero a zero, mas o discurso oficial considera que, mesmo com tamanho déficit (0,48% do PIB), a missão foi cumprida “com folga”, algo que não serve para rigorosamente nada. É como ganhar com gol de mão.
  • O rombo aumentou 44% em relação a 2024, quando havia ficado em R$ 42,9 bilhões. Nestes três anos de gestão Lula, o déficit acumulado supera R$ 356 bilhões, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional na quinta-feira (29).
  • As despesas, mais uma vez, cresceram mais que as receitas. Desde 2023, a alta (nominal) dos gastos ultrapassa 32%. No ano passado, foram R$ 584 bilhões a mais em relação a 2022. Já a dívida total subiu 18%, maior alta anual desde 2015.
  • A consequência é que a situação fiscal do país vai caminhando para o desastre. O principal indicador a demonstrá-lo é a proporção entre a dívida pública bruta e o PIB nacional.
  • Em 2025, o indicador bateu em 78,7% do PIB – estava em menos de 72% quando Lula assumiu. A última vez em que o Brasil assistiu escalada desta magnitude foi no desgoverno de Dilma Rousseff, quando a alta da dívida (de 14 pontos percentuais) desaguou na maior recessão da história (2015-2016).
  • A se confirmarem as previsões oficiais, até o fim da década o endividamento público vai decolar e se aproximar de 89% do PIB, novo recorde. A estimativa para 2026 é de mais um rombo, desta vez de R$ 72 bilhões, com nova piora nos resultados.
  • O descontrole das contas públicas não é indolor. A deterioração fiscal obriga o país a gastar mais com juros da dívida. Com a Selic atualmente no mais alto patamar em 20 anos, R$ 1,007 trilhão foram torrados nesta fogueira em 2025, de acordo com o Banco Central. É o mesmo valor que o INSS gasta para pagar aposentadorias e pensões de 40 milhões de beneficiários.
  • O déficit nominal brasileiro – que considera também os gastos com juros – supera 8,3% do PIB. Não existe outro país do mundo com resultados tão ruins, que gaste tanto e tão mal o suado dinheiro que deveria servir à população – investimentos, por exemplo, despencaram 7,6% no ano passado.
  • Desde 2014, o país não produz superávits fiscais – houve uma única exceção, em 2022. Não é coincidência que os desequilíbrios em série coincidam com o longo período de irresponsabilidade de governos do PT no trato das contas públicas.

Gastos do setor público consolidado com juros da dívida (em R$ bilhões)*

Fonte: Banco Central do Brasil. *Em valores correntes.

Os petistas do Banco Master

  • Ainda não dá para saber a exata extensão da culpa do governo Lula na “maior fraude bancária” da história do país. Mas a quantidade de petistas graúdos envolvidos até o pescoço com o Banco Master não deixa dúvidas sobre a ligação do partido hoje no poder com o escândalo bilionário.
  • O caso mais indecente compreende a prestação de serviços pelo então ministro da Justiça à instituição de Daniel Vorcaro. Entre agosto de 2023 e setembro de 2025, o escritório de Ricardo Lewandowski recebeu pelo menos R$ 5 milhões para dar “consultoria” ao Master. A indicação partiu (adivinhe!) do petista Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado.
  • Fora do cargo desde o mês passado, por mais de 18 meses Lewandowski manteve dupla jornada: como ministro e como consultor do banco ora investigado pela Polícia Federal, órgão subordinado à pasta da Justiça. Enquanto foi ministro, o contrato milionário com o Master foi tocado pelo filho e pela esposa dele.
  • Tem mais. Uma das maiores alavancas para a expansão dos negócios do Master foi umaoperação de 2018 envolvendo crédito consignado no governo (adivinhe!) do petista Rui Costa na Bahia, hoje ministro-chefe da Casa Civil de Lula.
  • A proximidade do banco com o PT também inclui o presidente da República. Sempre em encontros fora da agenda oficial, o dono do Master esteve pelo menos quatro vezes no Palácio do Planalto desde 2023. Quem azeitou as conversas foi (adivinhe!) outro petista: Guido Mantega, que recebe R$ 1 milhão por mês como “consultor” do banco, indicado também por Wagner após ter seu nome vetado para o conselho da Vale.
  • A esta teia de interesses escusos se junta a (para dizer o mínimo) condução temerária do processo de investigação do escândalo decorrente de decisões monocráticas de Dias Toffoli, ex-advogado (adivinhe!) do PT e hoje ministro do STF.
  • São reiterados os episódios envolvendo lideranças do primeiro time do PT com escândalos de corrupção. O Master, cuja liquidação afetou cerca de 1,6 milhão de clientes, com R$ 47 bilhões investidos, pode ser apenas mais um desta infindável lista.

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