Um país com a corda no pescoço

Edição 93
  • Está difícil produzir, gerar emprego e renda no Brasil de forma sustentada. O país assiste a uma onda de quebradeira e de endividamento recorde, com a economia andando de lado, vergada sob o peso de taxas de juros na estratosfera.
  • Desde a recessão do governo Dilma (2015-2016), não se via tantas empresas com tantas dificuldades. Até companhias gigantescas estão sucumbindo, como a Raízen e o Grupo Pão de Açúcar, que entraram com pedido de recuperação extrajudicial (RE) na semana passada.
  • Mas o número de firmas em apuros é bem maior. No ano passado, foram registrados 78 pedidos de RE e, neste ano até agora, já são mais sete, segundo o Obre (Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial).
  • É o pior resultado anual desde que a nova legislação brasileira sobre falências entrou em vigor, em janeiro de 2021. Os números explodiram ao longo do governo Lula. Já são 194 casos desde 2023 – ante apenas 37 nos dois anos anteriores.
  • Outra modalidade de reestruturação de dívidas também está estourando no país. Existem atualmente 5.680 empresas em recuperação judicial (RJ), que se diferencia da RE por envolver maior intervenção do Poder Judiciário no processo de negociação com credores.
  • Da mesma forma que as RE, a escalada das RJ também coincide com o período da atual gestão petista. No segundo trimestre de 2023, dado mais antigo disponível no Monitor RGF, havia 4.223 empresas em RJ. Ou seja, a alta até agora é de 34%.
  • O setor mais afetado é o agronegócio: 493 companhias da área estão sob RJ. O número dobrou desde 2023. Empresas se endividaram para ampliar a safra agrícola, mas foram pegas no contrapé pela mais alta taxa de juros dos últimos 20 anos.
  • A quebradeira, porém, é disseminada. No fim de 2025, o Brasil tinha 8,9 milhões de empresas inadimplentes, um recorde histórico. O volume de dívidas em atraso chega a R$ 213 bilhões, o dobro de 2022, de acordo com a Serasa Experian.
  • Mais: entre as companhias brasileiras listadas em bolsa, 24% já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas, segundo O Estado de S.Paulo. Pior: 47% delas estão mais alavancadas (ou seja, têm resultados financeiros comprometidos com seu endividamento) do que o recomendável.
  • A explicação para todas estas dificuldades está na taxa de juros, que será redefinida pelo Copom nesta quarta-feira (18). Em todo o mundo, apenas a Rússia tem juros reais mais altos do que o Brasil, conforme ranking elaborado pela MoneYou.
  • Juros altos não caem do céu: são consequência da total irresponsabilidade fiscal do governo Lula, que não enxerga que sua gastança está destruindo a economia real. O país está sendo levado pelo PT a uma situação pré-falimentar. E o que é mais grave: vai piorar.

Total de casos de recuperação extrajudicial no Brasil

Fonte: Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial. *Até 16 de março.

Famílias também estão com bolso em apuros

  • Não são apenas as firmas, seus clientes e fornecedores que amargam dificuldades decorrentes da escalada do endividamento entre as empresas. As famílias brasileiras também estão com a corda no pescoço.
  • Nunca antes na história, tantos brasileiros estiveram com o bolso tão em apuros. São atualmente 81,3 milhões de endividados. Significa que 6 em cada 10 pessoas da população economicamente ativa do país devem.
  • Em um ano, o aumento das famílias nesta triste situação foi de 9%, com mais 7 milhões de pessoas ficando endividadas. O total das dívidas atinge R$ 524 bilhões, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa.
  • Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a situação pode ser ainda pior. Em sua Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, 79,5% dos entrevistados se declararam endividados, maior percentual da história.
  • Mais: 29% das famílias têm dívidas em atraso e quase 13% afirmam não ter condições de quitar o que devem. Tudo considerado, perto de 1/3 da renda dos brasileiros está comprometida só com pagamento de dívidas.
  • Assim como acontece com as empresas, as famílias brasileiras sofrem as consequências das altas taxas de juros, que, no caso delas, são ainda mais salgadas: enquanto a taxa básica está em 15%, nos recursos livres o índice bate em 58% ao ano.
  • Nenhuma economia sobrevive muito tempo à anomalia de desequilíbrios fiscais recorrentes, que, por sua vez, disparam a necessidade de aumentar juros – que atualmente já consomem mais de R$ 1 trilhão dos recursos públicos. É um caminho sem volta para o precipício.

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