Ainda vivendo no país da insegurança

Edição 103
  • A falta de segurança pública é hoje o maior temor dos brasileiros. O assunto lidera, junto com a saúde, os rankings das principais preocupações da população. Ninguém está a salvo: mesmo com algumas quedas recentes nos indicadores, o crime continua disseminado por todo o país.
  • Pesquisas que mostram o medo dos brasileiros diante da violência se sucedem. Segundo levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz divulgado na semana passada, 42% consideram “muito violenta” a cidade onde moram.
  • Não por acaso, segurança pública surge como área com pior desempenho do governo federal, de acordo com a população ouvida pelo Datafolha. A criminalidade supera até as dificuldades da economia.
  • A violência que os brasileiros sentem no dia a dia coincide com omissão da gestão petista em relação ao enfrentamento do crime. Mesmo que segurança pública seja atribuição de estados e do Distrito Federal, o governo Lula assiste de camarote.
  • Despesas realizadas com a função Segurança Pública representam apenas 0,4% do total de gastos da União, conforme a mais recente edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, relativa a 2024.
  • Enquanto as unidades da federação dispenderam R$ 118 bilhões com esta finalidade naquele ano, a União pôs apenas R$ 21 bilhões na área, ou seja, menos de 18% do total. É um padrão que não tem se alterado ao longo do tempo.
  • Naquilo que pode atuar, o governo do PT pouco age. O Fundo Nacional de Segurança Pública tem R$ 2,8 bilhões autorizados para este ano. No entanto, até agora executou apenas R$ 245 milhões – isto é, perto de 9% do total.
  • Com o Fundo Penitenciário não é diferente. São R$ 962 milhões reservados no Orçamento da União para financiar políticas de segurança pública voltadas ao sistema prisional brasileiro. Mas somente R$ 50,2 milhões foram pagos até agora, de acordo com dados do Portal da Transparência.
  • Estados governados pelo PT aparecem entre aqueles com os piores índices de criminalidade no país, de acordo com o Atlas da Violência divulgado pelo Ipea nesta terça-feira (26).
  • Sob gestão petista desde 2007, a Bahia tem a segunda mais alta taxa de homicídios entre todas as unidades da federação. São 40,9 a cada 100 mil habitantes, praticamente o dobro da média nacional, de 20,1.
  • No Ceará, não é diferente. Também governado pelo PT, é hoje o quinto mais violento estado brasileiro, com média de 34,3 homicídios a cada 100 mil habitantes e, na contramão do resto do país, alta de 5,2% desde 2023. Atualmente, quem lidera as estatísticas brasileiras de criminalidade é o Amapá (45,7).
  • A insegurança decorre, na maior parte dos casos, da passividade do poder público. Onde as forças da lei e da ordem não atuam, a bandidagem toma conta. Falta inteligência no combate ao crime. Mas falta, mais ainda, coordenação, articulação e vigorna repressão e na punição. É o que a população espera.

Taxa de homicídios registrados*

Fonte: Atlas da Violência 2026/Ipea/Fórum Brasileiro de Segurança Pública. *Por 100 mil habitantes.

De novo, os desequilíbrios na Previdência

  • As despesas com pagamentos de aposentadorias e pensões continuam subindo. As previsões oficiais para este ano se mostraram, para variar, irrealistas e o governo Lula está tendo que reestimar os gastos para a Previdência.
  • Na semana passada, a gestão petista anunciou que o pagamento de benefícios previdenciários será R$ 11 bilhões maior neste ano, obrigando a bloquear verbas. A conta é a maior do Orçamento da União e supera R$ 1 trilhão anuais.
  • Embora a Previdência tenha sofrido importante reforma no governo do presidente Michel Temer, o sistema continua distante do equilíbrio. Desde 2015, o déficit com o pagamento das pensões e aposentadorias escalou mais de 60%, de acordo com o Valor Econômico.
  • A situação só não é mais grave porque o governo tem contado com uma ajudinha proverbial: filas que represam a concessão de novos benefícios e, com isso, atuam para frear os gastos previdenciários.
  • Depois de ter atingido recorde histórico no início deste ano, atualmente ainda há 2,3 milhões de pedidos à espera de análise pelo INSS, de acordo com balanço oficial divulgado na semana passada. As estatísticas, porém, melhoraram de modo artificial, mostrou O Globo.
  • Numa sociedade em que a população, felizmente, está vivendo mais, a preocupação com o sistema de Previdência precisa ser constante. Não se trata apenas de garantir os pagamentos presentes, mas sobretudo de assegurar a solvência para as gerações futuras.
  • A Previdência mantém-se como uma das agendas fundamentais do país, mas governos petistas jamais se dedicaram seriamente a buscar construir seu equilíbrio de longo prazo. Também com aposentados e pensionistas, é preciso agir com mais responsabilidade.
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