Com a inflação não se brinca

Edição 123
  • Inflação é um dos mais conhecidos e temidos fenômenos da economia. A ciência é clara: quando a demanda sobe mais do que a oferta, os preços acompanham a alta. É, mais uma vez, o que está acontecendo no país.
  • Em setembro, conforme divulgou o IBGE na última sexta-feira (9), o IPCA, índice oficial de inflação no país, chegou a 0,82%. Foi a maior alta para o mês desde 2021, no auge da pandemia da covid-19.
  • Com isso, a inflação acumulada em 12 meses – isto é, aquela que é considerada para o sistema de metas pelo Conselho Monetário Nacional – voltou a ultrapassar o teto, somando 4,58%. É sinal de mais aperto à frente.
  • O IPCA vinha de dois meses de refresco por razões puramente artificiais. A aplicação do bônus de Itaipu havia ajudado a derrubar as tarifas de energia elétrica residenciais. Passado o placebo, elas agora aumentaram quase 8%.
  • Energia mais cara é menos bem-estar para as famílias brasileiras. Mas o pior foram os alimentos, que, mais uma vez, voltaram a subir muito, depois de três meses seguidos de baixas.
  • Os maiores vilões foram tomate, que ficou 37% mais caro no mês, batata inglesa, com alta de 24%, cebola (10%) e arroz (4,6%). No cômputo geral, alimentação em domicílio encareceu quase 1% apenas em setembro.
  • Os preços dos alimentos devem subir com ainda mais força até o fim deste ano, empurrados pelos efeitos do El Niño. As previsões são de que o fenômeno – que já vem mostrando as caras desde meados do ano – atinja seu ápice entre fins de 2026 e início de 2027.
  • O efeito imediato da alta do IPCA apontada na semana passada pelo IBGE foi o aumento das expectativas para a inflação deste ano – agora em 5,22%, de acordo com a mais recente edição do Boletim Focus.
  • Os riscos de disparada dos preços vêm sendo cantados em prosa e verso há tempos. É mais que sabido que o que fez a inflação escalar foi a gastança do governo Lula, que insuflou a demanda na tentativa de reeleger o atual presidente. As consequências não tardaram e estão aí, pesando no bolso de todos.
  • A inflação é perversa por si só. Afinal, penaliza mais quem menos renda tem e, por essa razão, compromete a maior parte de seus gastos com a compra de itens básicos para a sobrevivência.
  • Do outro lado, a alta persistente dos preços força o Banco Central a manter elevadas as taxas de juros, afetando tanto as famílias endividadas quanto as empresas com a corda no pescoço, que não conseguem investir para produzir mais.
  • O país já viveu uma época de hiperinflação. Com o Plano Real, gestado pelo PSDB sob renhida oposição do PT, o país conseguiu restaurar a estabilidade da moeda. Nunca se pode perder essa conquista de vista, sob pena de empurrar milhões de brasileiros de volta para a rua da amargura.

Expectativa de inflação (IPCA) para 2026 (em %)

Fonte: Sistema de Expectativas de Mercado/Banco Central do Brasil.

Está mais difícil viver no Brasil

  • Os efeitos da má política econômica petista sobre as condições de vida da população não são abstrações. Medidas em forma de menos bem-estar, menos qualidade e mais dureza, as consequências são concretas, palpáveis e mensuráveis.
  • Segundo a FGV, as famílias brasileiras estão mais vulneráveis hoje do que estavam no início do ano. Em 22 das 27 unidades da federação – ou seja, em 4 de cada 5 – as condições de vida se tornaram mais adversas, revelou O Estado de S.Paulo.
  • Batizado de IVF, o indicador desenvolvido pela FGV avalia a exposição ao risco, o nível de endividamento, a liquidez e a capacidade de pagamento das famílias. Grosso modo, comprova que a vida no país está cada vez mais difícil.
  • O coquetel que torna o cotidiano dos brasileiros mais árduo inclui a inflação alta, os juros elevados, o comprometimento crescente da renda com o pagamento de dívidas e a dificuldade de obter empregos que remunerem bem o trabalhador.
  • A inadimplência das famílias encontra-se em seu mais alto patamar em 15 anos. De acordo com o Banco Central, o índice no crédito livre está agora em 8%, o que significa que, de cada R$ 100 emprestados nesse segmento, R$ 8 estão com pagamento em atraso há mais de 90 dias.
  • A taxa de inadimplência está no nível mais elevado da série histórica iniciada em março de 2011 nos seguintes recortes: no crédito total; conjunto de todas as operações de crédito; na separação tanto no crédito livre quanto no crédito direcionado e também para pessoas físicas.
  • Atualmente, 84 milhões de pessoas no país – ou seja, 40% de toda a população – têm dívidas, cujo montante alcançava R$ 586 bilhões em atraso, conforme o mais recente levantamento da Serasa, datado de julho último.
  • Todas estas evidências atestam os impactos que uma política econômica irresponsável ocasiona na vida das pessoas. Não se trata de ideologia ou de ato de fé; é pura ciência, que os governos petistas insistem em ignorar.
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