- O manifesto divulgado no domingo (26) pelo PT ao final de seu 8° Congresso mais esconde do que revela. Mesmo convenientemente suavizado de olho nas urnas, o texto não deixa de carregar as velhas idiossincrasias que marcam o petismo.
- Embora no poder desde 2002, com o breve interregno das gestões Michel Temer e Jair Bolsonaro, o PT mantém seu comportamento pendular oportunista: procede como se fosse oposição, mesmo sendo governo.
- Quem lê o manifesto, junto com outros dois textos aprovados no fim de semana (um “Documento de Programa” e um “Programa de Governo”), depara-se com um partido que parece não ter nada a ver com o país que está aí.
- É como se, passadas mais de duas décadas, o PT não tivesse tido tempo suficiente para mudar as mazelas seculares que sobrevivem aos cinco mandatos de Lula e Dilma Rousseff. As ruindades brasileiras parecem continuar caindo do céu.
- Nos autoelogios, o partido é superlativo. Mas pergunte-se à maioria da população: onde está o Brasil edulcorado que o PT vende em sua propaganda como feitos de Lula? Provavelmente ninguém saberá responder.
- Mas, novamente, as lástimas que a gestão petista produz – como uma nação nunca antes tão endividada e com a corda no pescoço – estão varridas para debaixo do tapete. O Brasil de verdade não interessa ao PT.
- As digitais históricas do “jeito PT de ver o mundo” estão onipresentes. Promovida pelo governo do PSDB na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, a privatização da telefonia é tratada como “crime de lesa pátria” no “Documento de Programa” (p.25).
- Isso talvez explique a desconexão do petismo com um mundo em que o celular – para o bem e para o mal – é parte indissociável da vida cotidiana das pessoas. Pergunte ao prestador de serviço que sobrevive graças ao telefone o que ele acharia de depender de uma estatal para ganhar o seu pão de cada dia…
- Outra vítima das propostas que o PT escamoteou é a Lei de Responsabilidade Fiscal, também legado tucano. No programa de governo (p.13), o petismo propõe “construir uma alternativa” ao instrumento, ou seja, em português claro, acabar com ele.
- Sem a LRF, contudo, provavelmente o Brasil já teria ido à bancarrota sob o PT e a inflação, derrotada pelo Plano Real do PSDB, teria voltado à tona em consequência da irresponsabilidade com que Lula e seu partido tratam as contas públicas.
- Em seu manifesto, o PT ressuscita a balela da formação de uma “frente ampla” para salvar a democracia nas eleições de outubro. Só embarca nesta de novo quem ainda não percebeu que o repto serve bem para tentar ganhar voto, mas não para governar.
- Pelo menos, os documentos programáticos aprovados neste fim de semana deixam claro que quem se alinhar à reeleição de Lula cerrará fileiras com uma candidatura cujo compromisso explícito é com o “socialismo” (p.7). Ao capitalismo que produz e gera riquezas, o PT só dedica críticas acerbas.
- O programa aprovado pelo PT é um bilhete de retorno ao passado. Mas o que o país precisa é de menos e não mais interferência estatal; mais autonomia individual e menos protagonismo de governo, como defendem Lula e seu partido. O que o Brasil requer é um outro caminho, longe do atraso que o petismo significa.
A voraz e contínua destruição dos Correios
- Sob a gestão do PT, a estatal vive o pior período de sua história e segue à beira da bancarrota.
- Em 2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o maior já produzido pela companhia postal. É mais uma demonstração de que pior do que está fica: o rombo equivale a mais que o triplo das perdas de 2024.
- As contas da estatal entraram no vermelho em 2022. Nos três anos desde então, já sob a gestão Lula, o prejuízo acumulado atinge R$ 11,7 bilhões, enquanto as receitas despencaram 21%.
- Os Correios estão onde estão por causa de dogmas ideológicos que o petismo impregna no aparato público. A empresa havia sido, acertadamente, incluída no rol de privatizações pelo governo Bolsonaro. Lula a retirou.
- No ano passado, um pool de bancos – incluindo os públicos Banco do Brasil e Caixa – injetou mais R$ 12 bilhões no saco sem fundos dos Correios. Tudo com aval da União, ou seja, de cada um de nós, brasileiros.
- Por ora, o dinheiro que entrou só serviu para aumentar o sorvedouro de recursos: o fluxo de caixa da empresa apresenta déficit de R$ 700 milhões por mês, informa o Valor Econômico. Mas a companhia ainda quer mais – R$ 8 bilhões.
- Parte dos problemas, é verdade, deve-se à inadequação da empresa a uma concorrência que se pulverizou, e engoliu os Correios. Mas parte decorre de a companhia vir sendo tratada há décadas como mero butim partidário.
- Os Correios personificam a destruição que uma política econômica orientada por viseiras ideológicas antimercado é capaz de produzir. Assim como a debacle que também derruba outras estatais, é algo para ser aprendido para nunca mais ser repetido.