- Estatísticas oficiais indicam que a taxa de desemprego nunca foi tão baixa no país. O Brasil estaria, finalmente, na condição de “pleno emprego”, o que mereceria ampla comemoração. Mas será que a situação do mercado de trabalho é mesmo tão positiva quanto alguns dos dados apontam?
- De acordo com o IBGE, no trimestre encerrado em outubro, a taxa de desemprego foi de 5,4%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. Significa que 5,9 milhões de brasileiros estariam sem trabalhar. Parece bom, mas a realidade é bem diferente: quando observadas em conjunto, as mesmas estatísticas oficiais revelam condição muito menos positiva.
- A forma mais acurada de analisar a real situação do emprego é a taxa de subutilização da força de trabalho. Ela soma os desempregados aos que desistiram de buscar emprego (desalentados) e aos que trabalham menos do que gostariam (subocupados).
- Feito este recorte, a taxa de subutilização do país é de 13,9% e o grupo nesta condição é hoje de quase 16 milhões de brasileiros. Ou seja, estão sem trabalho digno quase o triplo de pessoas que a taxa oficial de desemprego sugere.
- Já o total de pessoas fora da força de trabalho não se altera significativamente desde 2022. Composto por pessoas aptas, mas que não trabalham nem estão procurando trabalho, segundo o conceito do IBGE, soma 66 milhões de brasileiros.
- Há outras constatações que demonstram a precariedade do mercado de trabalho brasileiro. A mais gritante é a informalidade: 38,7 milhões de trabalhadores não têm carteira de trabalho ou trabalham por conta própria, o que perfaz 37,8% da população ocupada. Há uma década, esse percentual mal oscila.
- Apenas para comparar, de acordo com os mais recentes dados da Organização Internacional do Trabalho, de 2023, Hungria e Polônia tinham as maiores taxas de empregados informais entre países da União Europeia: 17,8% e 9,8%, respectivamente.
- Outros indicadores sugerem também que a geração de empregos no país está perdendo força. A abertura de vagas formais em outubro foi a menor para o mês desde 2020, conforme o Caged.
- Para completar, o salário médio de admissão de quem consegue um emprego é baixíssimo: 1,6 salário-mínimo, em média. Como explicar, ainda, que 54 milhões de pessoas sejam beneficiárias do Bolsa Família, quase dez vezes o total de desempregados do país?
- O quadro geral demonstra que, mais que alardear o “pleno emprego”, faz-se necessário que o Brasil promova o “emprego pleno”, com condições de trabalho realmente dignas para quem busca produzir e gerar renda no país.
“Seria ótimo se a realidade correspondesse ao discurso do ‘pleno emprego’ que o governo Lula propagandeia. Mas quem se esforça todo dia sabe das péssimas condições de trabalho no país.”
Aécio Neves – Deputado federal e presidente nacional do PSDB
Subutilização da força de trabalho (em milhões de pessoas)

‘VALE-TUDO’ ELEITORAL
Na TV, Lula volta a insuflar o ‘nós contra eles’
- Luiz Inácio Lula da Silva ocupou rede nacional de rádio e TV na noite do último domingo (30) para, mais uma vez, promover a divisão entre os brasileiros. Foram mais de 6 minutos demonizando os “super-ricos” para promover a sanção da lei que concede isenção de imposto de renda a quem ganha até R$ 5 mil por mês.
- Em seu discurso, Lula transformou a benesse em moeda eleitoreira; em nenhum momento portou-se como chefe de Estado ou de governo. Na realidade, Lula ocupou os meios de comunicação para, mais uma vez, fazer proselitismo. Tudo em franco desrespeito à legislação, que veda promoção pessoal.
- Projeto de lei apresentado pelo deputado Aécio Neves disciplina a convocação de cadeia de rádio e televisão para pronunciamentos oficiais, mas está parado na Comissão de Comunicação da Câmara. Diante do hiato legal, o PSDB vai à Justiça pedir ressarcimento dos gastos do governo petista com a transmissão de domingo.
- O que Lula não disse na TV é que o que o Estado brasileiro dá com uma mão, as garras gatunas do governo do PT tomam com outra. Nunca antes na história, os brasileiros pagaram tantos tributos ao fisco: são R$ 2,3 trilhões neste ano até outubro, maior valor em 30 anos, conforme a Receita Federal.
- Só o imposto de renda retido na fonte cresceu 28% acima da inflação do período. Já o IOF, que o governo do PT aumentou para financiar parte de sua desenfreada gastança eleitoreira, subiu 39% reais até outubro passado.
- A benesse anunciada por Lula é um grão de areia perto de quanto os contribuintes brasileiros estão sendo esfolados pelo governo do PT. Só neste ano, a arrecadação federal aumentou R$ 185 bilhões, enquanto o alívio da isenção será de meros R$ 28 bilhões.
- Promover justiça fiscal é necessário e bem-vindo. Mas não às custas de jogar os brasileiros uns contra os outros, numa suposta luta de classes à qual o petismo sempre recorre como arma em seu vale-tudo a cada nova eleição.