Promessas de Lula e Flávio hipotecam futuro do país

Edição 124
  • A reta final da campanha presidencial deste ano tornou-se um show de horrores. Com objetivo de vencer a qualquer preço, os dois candidatos estão prometendo mundos e fundos aos eleitores. O país não tem como suportar tamanha irresponsabilidade.
  • Como incumbente, e com a máquina administrativa nas mãos, Luiz Inácio Lula da Silva vempondoo Estado brasileiro à serviço da sua tentativa de obter um quarto mandato presidencial. Mas o próprio governo do PT admite que não tem dinheiro.
  • O pacote do desespero petista vem desde antes do início do período eleitoral e a cada semana ganha novos ingredientes, à medida em que o atual presidente da República aparece em desvantagem nas pesquisas de intenção de votos.
  • Depois de ter terminado o primeiro turno da eleição com mais de 2,2 milhões de votos a menos que seu oponente, Flávio Bolsonaro, Lula escancarou a caixa de benesses eleitorais, mais uma vez ao arrepio da responsabilidade com as contas públicas.
  • Nesta segunda (19), o governo petista antecipou o pagamento do reajuste do Bolsa Família. Na semana passada, anunciou o perdão de quase R$ 13 bilhões de dívidas de microempreendedores individuais com a União e a doação a fundo perdido de R$ 5 mil a cada empreendedor. Parece tentativa de compra de voto?
  • O governo petista também determinou a isenção de tributos federais sobre os preços da gasolina e ampliou subsídios aos combustíveis em geral para fazer frente ao aumento das cotações do petróleo resultante da guerra no Oriente Médio.
  • Além disso, anunciou que vai conceder bolsas para estudantes universitários que concluírem seus estudos, no mesmo modelo aplicado a alunos do ensino médio por meio do programa Pé-de-Meia, e até zerar tarifas de ônibus aos domingos.
  • Tudo considerado, em poucos dias após o primeiro turno a gestão petista acrescentou mais R$ 40 bilhões aos gastos públicos, elevando o impacto do pacote do desespero a cerca de R$ 350 bilhões, a maior parte sem origem de recursos definida.
  • A voga populista não se restringe a Lula. A campanha de Bolsonaro também tem lançado mão de promessas eleitoreiras para tentar garantir que o senador pelo PL não perca a dianteira que conquistou nas urnas no último dia 4.
  • O pacote de Flávio inclui reajustes acima da inflação para benefícios sociais, salário-mínimo, aposentadorias e pensões – na contramão de um Estado que desde 2013 não consegue fechar suas contas no azul.
  • Uma das medidas de maior impacto divulgadas pela campanha do candidato do PL é o congelamento das dívidas de pessoas físicas por seis meses e das empresas por um ano. Ele não esclarece, porém, quem arcará com os juros durante a carência, quais dívidas serão elegíveis, se haverá subsídio público e como os bancos serão compensados.
  • As eleições não deveriam ser um vale-tudo. A vida dos brasileiros não termina no domingo. Os compromissos dos candidatos devem manter pé na realidade e preservar a integridade dos recursos públicos, sob pena de a vitória nas urnas transformar-se na perpetuação das dificuldades da população por mais quatro anos.

Variação do PIB brasileiro (em %)

Fontes: Fundo Monetário Internacional/World Economic Outlook Database (FMI/WEO)
e Banco Central do Brasil/Boletim Focus. *Projeções.

Um debate raso de ideias e propostas

  • Foram necessários mais de dois meses de campanha eleitoral para que os dois principais postulantes à presidência da República aceitassem finalmente estar cara a cara para discutir o futuro do país. Mas o que era para ser uma discussão de propostas passou muito longe disso.
  • Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva estiveram frente a frente pela primeira vez neste domingo (18) em debate promovido pela Band e por um pool de veículos de comunicação. Foi bem pior do que se poderia esperar.
  • Faltaram ideias sobre como tirar o Brasil da difícil situação em que se encontra, depois do quinto mandato presidencial petista desde 2003, e sobraram acusações, agressões e baixarias – de parte a parte.
  • O país já assistiu debates presidenciais memoráveis, como o que reuniu nove candidatos na primeira eleição da redemocratização, em 1989, ou os da acirrada disputa entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) em 2014.
  • Debates presidenciais sempre foram marcados pela civilidade, mas essa característica tem se perdido à medida em que a política nacional vem sendo dominada pela polarização.
  • No domingo, não foi diferente. Bolsonaro e Lula ficaram devendo aos brasileiros como pretendem recuperar a segurança dos cidadãos, como garantir que o SUS faça frente à crescente demanda decorrente do envelhecimento populacional ou como se livrar da gastança em que o PT meteu o Estado nacional.
  • Na sexta-feira (23), os dois candidatos terão uma última oportunidade de se enfrentar e demonstrar aos eleitores que possuem real capacidade de conduzir o país pelos próximos quatro anos. Espera-se que, desta vez, prevaleça o interesse maior da população e não a lógica banal do confronto pessoal.
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