A persistente e explosiva escalada da dívida

Edição 113
  • A cada nova divulgação mensal, a constatação se repete: o Brasil está cada vez mais à beira do abismo. O país convive com uma dívida pública descontrolada, que aumenta de maneira contínua e acelerada, alimentada pela irresponsabilidade do governo do PT.
  • Em junho, a dívida pública bruta atingiu 81,9% do PIB. É a maior desde 2021, segundo divulgou o Banco Central na sexta-feira (31). São agora R$ 10,8 trilhões, com alta de R$ 190 bilhões num único mês. Apenas numa única vez na história, o endividamento brasileiro havia chegado tão alto: foi na pandemia da covid-19, período de absoluta excepcionalidade.
  • Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida já aumentou 10,2 pontos percentuais. Estrago parecido em tão pouco tempo só tem similar nos anos finais do descalabro da gestão Dilma Rousseff, quando o país foi jogado na fogueira da maior recessão da história.
  • Não vai parar por aí. Segundo a Instituição Fiscal Independente, nos próximos quatro anos a dívida pública vai continuar explodindo, com alta projetada de mais 13,2 pontos percentuais até 2030, superando (em muito) a pandemia. O céu é o limite.
  • Tudo considerado, significa que, em menos de quatro anos, o desgoverno petista conseguiu produzir nas contas públicas uma hecatombe só comparável aos piores momentos da história econômica brasileira e global.
  • Há várias formas de verificar a deterioração das contas públicas do país. Todas apontam a mesma direção: nunca antes na história, o Brasil esteve governado com tanta irresponsabilidade com o dinheiro do contribuinte. Vejamos.
  • Em junho, o custo médio da dívida pública federal chegou a 12,68% ao ano. É o maior nível desde setembro de 2016, no auge da depressão produzida sob o petismo de Dilma. Diante do descontrole, para se financiar o Tesouro vem sendo obrigado a pagar juros nunca antes pagos.
  • O gasto médio com juros no país bateu em 8,8% do PIB, maior deste século e um dos mais altos em todo o mundo. Nos 12 meses terminados em junho, foram R$ 1,16 trilhão em despesas com juros, com o rombo total superando R$ 1,3 trilhão.
  • O que, dois anos atrás, técnicos do governo Lula previam como “pior cenário” para o fim do atual mandato materializou-se integralmente. Os resultados fiscais atuais são tão ruins quanto os mais ruins projetados em documentos oficiais.
  • Tão assustador quanto é o desdém das autoridades econômicas do governo petista acerca da gravidade da situação. Para elas, a explosão da dívida não tem nada a ver com a escalada dos gastos do governo Lula: a culpa é dos juros.
  • A gastança começou na PEC da Transição, ainda em fins de 2022, e não parou mais. Seguiu com os furos ao “arcabouço fiscal” e explodiu com o pacote eleitoreiro em marcha – metade da alta da dívida sob Lula se deu nos últimos 12 meses.
  • A dívida só vai parar de crescer se o governo gastar menos do que arrecada. Isso não acontece no Brasil desde 2014 – com a exceção de 2022. A consequência é um país asfixiado com juros impagáveis por famílias e empresas com a corda no pescoço.

Dívida bruta do governo geral (em % do PIB)*

Fontes: Banco Central do Brasil (2022-2025) e IFI (projeções para 2026-2035). *Em dezembro de cada ano.

Uma candidatura com olhos voltados ao passado

  • Um marciano que descesse na Terra no último domingo (2) provavelmente ficaria desconcertado com o candidato do PT à presidência da República. Pensaria estar vendo quem luta para, enfim, chegar ao poder, mas se espantaria em constatar estar diante de quem lá está desde o início do século.
  • Em caso de vitória em outubro, o PT conquistará seu sexto mandato desde 2002. Mas Lula age como se ele e seu partido não tivessem nada a ver com os descalabros e retrocessos do Brasil atual. Continua prometendo para amanhã o que não fez ontem – aí entendidas décadas, e não meros anos ou dias.
  • O lançamento de Lula corroborou a constatação de que ele e seu partido não têm respostas para questões prementes da sociedade brasileira atual, como a insegurança pública, ignorada no discurso do candidato petista, ou o desarranjo fiscal.
  • Lula disputou a presidência do país pela primeira vez em 1989. Está em sua sétima candidatura – três delas exitosas. Pesquisas de opinião recentes têm mostrado que a maioria do eleitorado considera que ele não merece mais quatro anos como presidente da República.
  • Parece evidente que o que o PT tem a oferecer é uma repetição de suas bravatas e seus vícios. O partido continua agindo como se não fosse governo, mesmo o sendo há 24 anos, com o breve interregno de 2016 a 2022. Promete coisas que já prometeu e nunca cumpriu. Continua renegando princípios básicos de um governo responsável.
  • Prova disso são, por exemplo, as intenções expressas por Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, para a economia brasileira. Entre elas está uma ainda maior leniência com o controle das contas públicas, defendendo que a regra fiscal não impeça o crescimento econômico e o investimento estatal.
  • Lula e o PT tratam o Brasil e os brasileiros como feudo. O objetivo deles nunca muda: é conquistar mais poder, por mais tempo, para arrancar mais um naco de privilégios a seu favor e de seus apaniguados. O país merece coisa melhor: merece olhar para o futuro, e não viver eternamente preso a um passado de logro e frustração.
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