- A vida dos brasileiros não está fácil. O medo de sair de casa está em todo lugar, os serviços públicos que deveriam atender aos cidadãos funcionam mal e o dinheiro está cada vez mais curto. Tem mais e mais gente com a corda no pescoço.
- As dificuldades ficam mais evidentes quando se percebe que, cada vez mais, o salário não está dando para sobreviver. A renda dos brasileiras não está conseguindo sustentar o consumo mínimo das famílias. A (péssima) saída tem sido contrair mais dívidas – situação que programas de renegociação, como o Desenrola, passaram longe de ajudar a resolver, como mostrou estudo da FGV.
- Nunca antes na história, tantos brasileiros estiveram tão endividados e com tanto papagaio em atraso. Segundo a Serasa, são nada menos que 84 milhões de inadimplentes no país, conforme os dados mais recentes, de julho último.
- A piora é explícita. Em dezembro de 2022, 69,4 milhões de pessoas estavam nesta mesma condição. Ou seja, em três anos e meio a lista de nomes sujos na praça ganhou mais 14,5 milhões de pessoas, o que significa alta de 21%.
- Atualmente, oito de cada dez famílias do país têm dívidas a vencer, conforme a mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, referente a julho último. O endividamento corresponde a metade da renda anual delas, segundo o Banco Central. Em todas as modalidades, o índice de dívidas em atraso é recorde.
- Não bastasse o exército crescente de devedores, a renda das famílias comprometida com pagamento de dívidas está no mais alto patamar da história. De cada R$ 100, R$ 29 estão pendurados em débitos com faturas, cartões de créditos e contas a quitar, ainda de acordo com o Banco Central.
- Não é difícil apontar os vilões de toda essa dureza: os juros. O atual estágio, praticado no país desde o início de 2025, é o mais alto em 20 anos, mas em termos reais, ou seja, quando se desconta a inflação, a taxa nunca foi tão elevada em toda a nossa história.
- O Brasil continua sendo o campeão mundial de juros, como atesta a consultoria MoneYou – isso sem crise econômica, sem guerra ou qualquer outra hecatombe que não seja a política fiscal vigente no país desde 2023.
- É a gastança do governo do PT que alimenta a engrenagem: aumenta a inflação, que por sua vez exige juros mais altos para ser controlada, que, por seu turno, azedam a vida da população, tanto na forma de preços mais caros quanto de dívidas que pesam mais no bolso.
- Esse coquetel explosivo ganhou novo ingrediente em anos recentes: as bets. Hoje, um de cada três brasileiros faz apostas, mostrou pesquisa da Quaest. Menos de dois anos desde sua regulamentação no país, elas já movimentam R$ 21 bilhões por mês, estimou o Banco Central, e elevam ainda mais a inadimplência, revelou o Insper.
- Todas essas evidências são sintomas de um país doente, mal administrado e na contramão do mundo. Um desequilíbrio – no caso, o excesso de gastos públicos – ativa o gatilho, numa reação em cadeia. Quando o governo erra a mão na gastança, fica bem mais difícil para todo mundo levar a vida.
Total de inadimplentes no Brasil (em milhões)

Uma agenda para a saúde dos brasileiros
- Saúde figura no topo das preocupações dos brasileiros. Embora seja motivo de orgulho, o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem conseguido prover os cuidados que a população demanda. Falta colocar o bem-estar na agenda de prioridades.
- Um dos principais indicadores das dificuldades de acesso está nas filas de espera por consultas com especialistas e exames. Segundo levantamento recente de O Globo, a demora nunca foi tão longa e os atrasos, tão recorrentes.
- São cerca de 5,7 milhões de pessoas aguardando atendimento, com prazo médio de espera de 57 dias, mas que, dependendo da especialidade e da unidade da federação, pode chegar a mais de dois anos.
- Um dos principais entraves é que a saúde sofre com subfinanciamento crônico. A participação da União cai a cada ano: desde 2002, passou de 52% para 40% do total, segundo o Conass. O peso vem sobrando cada vez mais para os municípios, cuja fatia subiu de 25% para 34%.
- Uma agenda de melhoria dos serviços de saúde deve começar pela atenção primária – por exemplo, universalizando o Saúde da Família, programa implementado no governo Fernando Henrique. Com isso, ordena-se e coordena-se o fluxo no SUS, ajudando a reduzir as filas – 80% dos casos podem ser resolvidos e agravos, evitados com mais prevenção e promoção à saúde.
- Outro aspecto diz respeito ao maior uso de tecnologia nos tratamentos. O país ainda precisa avançar na chamada interoperabilidade, que se traduz na adoção de um prontuário eletrônico unificado para cada cidadão. Isso ajuda a melhorar a jornada do paciente no sistema, com tratamentos mais resolutivos. Também deve-se expandir os atendimentos por telemedicina, ampliando acesso.
- O foco de uma ação de governo voltada a promover saúde e salvar vidas deve ser garantir atendimento na hora certa, o que inclui esperas menores. Maior integração entre os níveis de atenção também permite gerar melhores desfechos clínicos e racionalizar custos assistenciais. Saúde precisa vir em primeiro lugar.